segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Conversa, segunda feira, 01 de setembro 2014

          Começamos hoje a semana da pátria, na qual, nos consagramos a colher votos no Plebiscito popular e assinaturas para a lei de iniciativa popular pedindo a reforma política do sistema brasileiro. Como participei de vários encontros e reuniões dos movimentos populares que coordenam essa campanha, fiquei impressionado com a generosidade e a consagração das pessoas a essa causa. Espero que tenha pleno êxito e consigamos de fato uma profunda e radical transformação política das estruturas da sociedade brasileira. Amanhã, pela manhã, irei à reunião do Fórum Diálogos e logo depois votarei na Praça do Derby - pediram que meu ato de votar fosse filmado - é claro que aceitei. Que possa estimular muita gente a fazer o mesmo. 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Conversa, sexta feira, 29 de agosto 2014

Um dos mais recentes números da revista IHU On Line (da Unisinos de São Leopoldo, RS) tem como tema "Evolução Consciente" - (Qual é o futuro da humanidade?). Como todos os números temáticos dessa revista, reúne entrevistas com cientistas e estudiosos de várias áreas, como Bárbara Marx Hubbard, cientista política norte-americana; Diarmuid O'Murchu, psicólogo social e religioso; Ted Chu, economista chinês, Elisabet Sahtouris, bióloga da evolução, Ervin Lazlo, fundador da Filosofia dos Sistemas e da Teoria da Evolução Geral, duas vezes indicado ao Nobel da Paz. E outros estudiosos/as. Li atentamente, às vezes reli cada entrevista e procurei compreender essa proposta da "Evolução Consciente". Se compreendi bem, a tese é que o universo inteiro está em evolução permanente e como dizia Theillard de Chardin, essa evolução toma uma etapa superior com a consciência humana que se une à consciência do universo e faz de todo o universo uma consciência viva e integrada. Há diversidades de enfoques. Uns acentuam que, até aqui, o ser humano desenvolveu apenas uma parte ínfima de suas potencialidades interiores, racionais e emocionais. E se trata de desenvolver. Outros pensam que o ser humano como tal já chegou ao ponto que podia e então temos de desenvolver robots e cyborgs inteligentes e capazes de emoção que nos ajudem na integração do universo. Algumas intuições me pareceram teorias de filmes ou livros de ficção científica. Outras me pareceram mais na linha dos grupos de nova era, da nova consciência e assim por diante. De todo modo, temos sim de pensar e repensar essas coisas. 
Exatamente porque tinha acabado de ler todas essas entrevistas sobre esse assunto, fui agora à noite assistir ao filme Lucy, nova produção de Luc Besson e que trata exatamente de um tema semelhante. Lucy é uma garota norte-americana que em passagem por Hong-Kong se envolve sem querer com uma gangue internacional de tráfico de drogas e colocam no intestino dela uma bolsa de uma nova droga que desenvolve artificialmente a inteligência. Por um acidente, essa bolsa se abre no intestino e ela adquire uma capacidade intelectual que nenhum outro ser humano atingiu. Nós comumente chegamos a desenvolver 10% da inteligência. Ela alcança progressivamente até 100%. É pena que o filme resvala entre a ficção ou parábola dessa visão futurista e, ao mesmo tempo, um estilo de filme de gangster com muita violência e muita gente morta no meio do caminho. Se o diretor Luc Besson, francês, não tivesse incorporado tanto o estilo norte-americano de filmar e o ritmo de Hollywood, talvez tivéssemos um filme que nos fizesse pensar nessa possibilidade com mais esperança. Do modo como o filme se desenvolve, tudo o que a gente quer é que os bons vençam e matem os vilões e a Cavalaria chegue tocando a trombeta e acabe com os índios (no caso, os sempiternos orientais de plantão que é claro são os bandidos). É pena.  

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Conversa, quinta feira, 28 de agosto 2014

             Ontem, tivemos a celebração dos 15 anos da partida de Dom Helder. Uma saudade imensa dele e do caminho que ele nos mostrava. 
           Como, em nossa Igreja, hoje, é difícil e trabalhoso, fazer minimamente o que ele fazia de forma natural e tranquila em seu tempo. Ontem, penso que foi a primeira vez, em uma dessas celebrações, que tivemos a participação de dois ministros anglicanos (Félix e Francisco) e um pastor batista (Paulo Sérgio). Concelebraram comigo dois padres, Zé Augusto e Fábio, ambos abertos e capazes de se inserir naquele ambiente ecumênico. A Igreja cheia. Reginaldo Veloso animou os cânticos que foram pastorais e bem executados. 
          O padre João Pubben nos enviou da Holanda uma mensagem breve, mas bela e profunda. O que é importante agora não é homenagear o Dom e sim assumir a sua herança e continuar o seu caminho. Os textos das leituras eram sobre o verdadeiro pastor que Deus dá a seu povo. Fiz uma breve homilia recordando o forte conteúdo político do capítulo 10 de João e como Dom Helder tinha vivido esse evangelho ao ligar seu ministério pastoral e propriamente eclesial com a preocupação pelo mundo todo. E como hoje devemos viver isso. 
       No final da missa, o pároco (Zé Augusto) me disse: "Foi muito bom. Aqui, (nas Fronteiras) deve ser assim: um espaço mais livre". 
E eu concordei e respondi que vamos avançar mais. Depois que saí de lá, pensei: "Seria toda a Igreja que é chamada a ser Igrejas de fronteiras e espaço livre". 







domingo, 24 de agosto de 2014

Conversa, domingo, 24 de agosto 2014

Hoje, voltei de uma viagem para mim longa (10 dias) por três estados (GO, DF e MG). Hoje, domingo, minha celebração eucarística foi participar da celebração dos 30 anos de ministério de Félix Filho, um padre anglicano que foi do meu grupo de jovem e do qual eu tive parte importante na primeira formação cristã. Somos amigos há mais de 40 anos. A celebração foi no salão do edifício no qual ele mora. Umas 50 pessoas entre parentes, amigos e pessoas da comunidade que atualmente ele acompanha. Ali se respirava uma ânsia pela unidade das Igrejas, mas ainda com o cheiro das divisões. Fiquei com ele no altar e comunguei, mas como peço a Deus que esse sinal não seja apenas meu e sim de toda a Igreja de Deus, tanto Católica, como Episcopal Anglicana, ainda tão voltadas sobre si mesmas e sobre os seus dogmas e costumes. 
       Dom Sebastião Soares, bispo emérito que recebeu Félix e validou o seu ministério para a Igreja Anglicana, fez uma excelente meditação sobre os textos litúrgicos desse domingo, partindo do salmo 138 - louvar a Deus que é tão grande, mas olha os pequeninos - o texto de Isaías 51 e Romanos 11, assim como o evangelho Mateus 16, 13 ss. Gostei e aprendi muito. 

sábado, 23 de agosto de 2014

Conversa, sábado, 23 de agosto 2014

   Depois de uma semana de atividades no Centro-oeste, estou em Belo Horizonte, onde participo hoje da celebração eucarística pelo aniversário de 70 anos de frei Betto, meu irmão e amigo desde a juventude. Fiz um esforço grande para vir aqui e estar presente, mas faço questão disso, primeiramente para sempre privilegiar as relações de amizade e comunhão gratuita e não as de trabalho. Além disso, é uma forma concreta de agradecer o tanto que, ao longo de tantos anos, tenho recebido dele como testemunho de fé e de profecia, assim como tenho aprendido nos tantos encontros que tivemos e temos, seja no grupo Emaús (nosso grupo de teologia), seja em atividades de Cebs e outras. Não tenho e não cobro de mim o carisma que Betto tem para a dimensão política, a capacidade de análise e a clareza de opções (nisso, o acho genial). Não tenho o tato dele para as relações com gente de poder. Tenho alguns contatos de amizade, mas não sei cultivar isso e me aceito como sou. Assim como ele, me sinto viciado em escrever. Desde adolescente, peguei esse vício e não consigo me libertar dele. Escrevo quase sem parar e isso no meio de viagens, de compromissos pastorais, de doenças, de tudo. Betto também é assim. Também como ele, eu tenho como missão que amo muito acompanhar grupos de leigos na espiritualidade. Ele tem mais do que eu. Penso que acompanha grupos em Sao Paulo, no Rio e em BH. Eu tenho um grupo no Recife (atualmente o grupo da partilha que era de Dom Helder) e um em Brasília. Além disso nós dois acompanhamos sempre que nos é pedido, o MST e outros movimentos sociais. 
         Esse aniversário de Betto é para mim ocasião de me estimular na missão. Daqui há poucos dias, estarei viajando para pregar o retiro da prelazia de São Félix do Araguaia. Deve ser a sexta ou sétima vez que faço isso ao longo dessas décadas. Mas, agora já há uns cinco anos, não voltava lá. A última vez foi em 2008. Voltei com pneumonia, depois de viajar três horas de barco no rio Araguaia e na chuva. Dessa vez, sei que deverei ir de carro em estrada de terra de Palmas até Sta Terezinha. É quase todo um dia de viagem. Depois cuidarei dos meus pulmões que têm insuficiência respiratória. Agora, é momento da missão e basta. Vou me preparar bem para não ficar doente. E conto com a força do Espírito Santo. 
       

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Conversa, quarta feira, 20 de agosto 2014

        Hoje, li uma oração de Atenágoras, patriarca de Constantinopla, na época do Concílio Vaticano II. Dizia: "Senhor, hoje eu sei que a nossa maior luta é a luta interior de cada um/uma de nós consigo mesmo/a. Durante toda a minha vida, tenho travado essa batalha. Não posso dizer que a ganhei, mas posso ver algumas conquistas. 
                  Atualmente, me sinto mais em paz. Não tenho medos e nem me sinto ameaçado por ninguém. Não tenho mais cobranças sobre as pessoas e nem preciso o tempo todo de me justificar. Abro mão dessa mania de ter razão. Quero apenas viver a comunhão contigo e ser sinal para os outros do teu amor e de tua compaixão". 

domingo, 17 de agosto de 2014

Meditação bíblica, domingo, 17 de agosto 2014

Hoje, a Igreja Católica celebra a Assunção da Sta Virgem Maria. Assunção é o termo usado para a crença de que Maria foi levada ao céu em corpo e alma. É um dos últimos dogmas proclamados pelo papa e não é ecumênico já que essa crença não está na Bíblia e não era aceita nem por todos os antigos pais da Igreja. De todo modo, é um destino de todos nós: sermos associados a Deus, assumidos por Deus. E nesse sentido, a Assunção de Maria não começou na hora em que ela morreu. O Evangelho mostra que já na visita que ela fez a Isabel ela viveu esse processo. A vida toda se elevando, subindo, acolhendo a graça divina para assumir em Deus o que há de melhor de si mesma. Nós também somos chamados a viver isso. Temos em nós uma parte menos boa do nosso ser. Deus nos dá o seu Espírito para assumirmos todo o nosso ser, corpo e alma, mas para fazermos evoluir, crescer, subir o melhor do que há em nós mesmos e no outro.