sábado, 18 de abril de 2015

Meditação bíblica para o 3o domingo da Páscoa, 19 de abril 2015





                       Nesse terceiro domingo da Páscoa, escutamos no evangelho uma das aparições do Senhor ressuscitado à comunidade dos discípulos e discípulas: Lucas 24, 36 ss. 
        Essa última página do evangelho de Lucas é maravilhosamente bem escrita e profunda, mas tem algo de estranho. Nos versículos anteriores, os discípulos reunidos em Jerusalém tinham dito aos dois companheiros que tinham voltado de Emaús: “É verdade! O Senhor ressuscitou realmente!”. Agora, nesse relato, aqueles mesmos que tinham dito aos que voltavam de Emaús: O Senhor ressuscitou realmente, eles mesmos, de repente, diz o texto, "não acreditaram e que duvidavam. O que significa isso? Não há uma certa incoerência entre um relato (o de Emaús) e esse da aparição de Jesus ao grupo de discípulos e discípulas?
                   De fato, este relato tem certa independência do outro. Apesar de dizer que os discípulos de Emaús ainda estavam falando, quando Jesus se deixou ver pelo grupo todo (v. 36), este relato de aparição pertence a uma tradição diferente das anteriores. As “aparições” (o evangelho não usa essa expressão) a pessoas particulares, como as mulheres, a Pedro e mesmo aos dois de Emaús tem um estilo e um tipo de conteúdo. As “aparições mais oficiais” ao grupo dos discípulos (no qual, com razão, vocês estão incluindo as discípulas) tem outro estilo e até um objetivo diferente ou específico. Elas servem para fundamentar a missão de toda comunidade eclesial: dar testemunho do Ressuscitado. Por isso, este tipo de relato parte da dúvida à fé e do medo à coragem. Essa narração parece paralela à mesma cena do quarto evangelho (Jo 20, 19 ss). Só se diferenciam em alguns detalhes. Comumente, o primeiro elemento é a iniciativa livre de Jesus. Ele se apresenta ou se deixa ver. A seguir, vem a reação dos discípulos (e discípulas). O texto ressalta a dúvida e incredulidade deles. Mas, isso é importante para deixar claro que a fé não é algo natural ou espontâneo. Não se crê na ressurreição a não ser através da palavra divina e da iniciativa divina. Finalmente, o terceiro elemento é a missão da Igreja que decorre do Cristo ressuscitado.
- O texto diz que os discípulos pensam estar vendo um fantasma. Mais ainda: que Jesus discute a questão: um fantasma não tem carne o osso, como vocês vêem que eu tenho. E lhes mostra as mãos e os pés, feridos pelos pregos da cruz. O ressuscitado é vitorioso, mas não deixa de ser ferido. E é humano. Ele insiste na corporalidade. Já vimos que isso é importante para a cultura grega que tendia a falar na imortalidade da alma, mas desprezava o corpo. Por isso, ele come “diante deles”. Para eles, comer era sinal de vida e, portanto, de ressurreição. Na maioria dos países, os movimentos sociais conseguiram criar o consenso de que a segurança alimentar é um direito básico de todos e o Estado deve cuidar disso. Este direito básico à alimentação e, portanto, à vida tem sido incorporado às novas Constituições que, na Bolívia, Equador, Venezuela e outros países da América Latina, os povos vem conquistando.
            Conforme Lucas, ao aparecer aos discípulos e discípulas, Jesus lhes garante que enviará, como aqui foi traduzido: “a pessoa que o Pai lhes prometeu” . Comumente, outras traduções falam em “aquele que o Pai prometeu”. A Bíblia do Peregrino prefere traduzir:  “eu lhes mandarei a promessa do Pai” (p. 2541). Quando, em português (ou nas línguas modernas), se fala em “Espírito”, o termo automaticamente é masculino. E novamente parece se tratar de uma visão patriarcal da divindade. No hebraico, o termo espírito (ruah) é feminino, como na religião dos Orixás, Iansã, a manifestação divina na ventania na tempessade, é feminina. Quando olhamos a Bíblia e mesmo especificamente os textos evangélicos, as atribuições do Espírito são, em grande parte, tarefas ou atributos que, na maioria das culturas, são ligados à mulher, como consolar, aquecer e defender como uma mãe defende seu filhinho ou filhinha. É claro que isso é cultural, mas a teologia cristã oriental (antiga), principalmente, síria, desenvolveu muito a adoração do Espírito Santo como mãe carinhosa.
              E da palavra do Cristo ressuscitado e do presente  que, através de Jesus, Deus nos dá (o dom do seu espírito maternal) é que vem a missão das Igrejas. Qual é essa missão? Este texto de Lucas diz: “anunciar a conversão para o perdão dos pecados a todas as nações, a partir de Jerusalém”. O que significa isso, hoje? No vocabulário bíblico a conversão ou o arrependimento tem muito a dimensão de “mudar de caminho”, fazer uma meia-volta no caminho da vida. Hoje, como nunca, a sociedade humana é chamada a essa reviravolta de caminho no sentido de mudar o modelo social, político e econômico do mundo. Precisamos de um modo de organizar a sociedade que leve em conta o respeito e a comunhão com a natureza, privilegie a justiça social e o direito dos empobrecidos, assim como retome a possibilidade de cada pessoa se reencontrar a si mesma/o em uma síntese de construção da própria pessoa.
Para nós, cristãos, a missão não deveria ser a pregação apenas de uma religião ou menos ainda de uma doutrina. É o testemunho de um modo de viver e mais amplo e universal do que aderir a uma confissão religiosa.
 A morte e a ressurreição de Jesus possibilitam essa mudança de caminho de vida (conversão). Para isso, é fundamental uma radical transformação de mentalidade (em grego, metanoia). Essa conversão de vida e de mente é fruto do Espírito, mas também precisa ser acolhida por cada pessoa e por todos. É uma proposta não somente individual, mas comunitária (eclesial) e coletiva. Por isso, o texto diz que o anúncio é dado às nações, isto é, às estruturas coletivas dos povos e das culturas (não está se referindo aos Estados ou governos). É mais uma vez o jeito de Lucas insistir que a adesão ao projeto divino para o mundo passa pelas estruturas sociais, políticas e econômicas da sociedade. É uma mudança do mundo.



sexta-feira, 17 de abril de 2015

Conversa, sexta feira, 17 de abril 2015

        Depois de viajar da madrugada até às cinco da tarde, cheguei em São Miguel do Oeste, a última cidade de Santa Catarina ao oeste, antes da fronteira da Argentina. Uma cidade de uns 40 mil habitantes. Uma paróquia única e coordenada por uma equipe de padres, leigos e irmãs. Fazem um curso de formação de lideranças em etapas e eu vim ajudá-los na última etapa. Nessa noite, falei para mais de 300 pessoas. Salão superlotado. Tema: "Espiritualidade e educação para o bem viver". Parece que gostaram. Ao menos, cuidei de me comunicar com uma linguagem simples e acessível. Amanhã o grupo será predominantemente mais jovem. E fico aqui até domingo. 
        Ao ver tanta gente interessada em uma formação permanente, me alegro e constato que podemos sim esperar de uma liderança leiga que exerça o seu papel profético na Igreja e no mundo. 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Artigo semanal, quinta feira, 16 de abril 2015

                      Viver, em Deus, como se fosse sem Deus


Em Londres, quem passa pelo pórtico da Catedral anglicana de Westminster, verá em meio às imagens de mártires do século XXI a estátua de um pastor luterano. Para celebrar o ano 2000, a Igreja Anglicana colocou nas portas da Catedral em Londres figuras de vários mártires do século XX. Ali se veem não cristãos como Gandhi e cristãos de várias Igrejas que os anglicanos reconhecem como santos. Ali estão homenageados o bispo católico Dom Oscar Romero, o pastor batista Martin-Luther King e, entre os dois, o teólogo e pastor luterano Dietrich Bonhoeffer, fuzilado em um campo de concentração nazista.
Nessa semana, no dia 09 de abril, completaram-se 70 anos do martírio do pastor Bonhoeffer. No entanto, a sua mensagem profética continua atual e provoca admiração no mundo inteiro. Pelo seu modo de viver e por seus escritos, ele ensinou uma espiritualidade que une fé e política. Para ele, a fé cristã exige inserção na realidade social, assim como Jesus entrou profundamente nos problemas da sociedade do seu tempo. Por isso, Bonhoeffer propôs que as Igrejas reagissem à injustiça. Os pastores deveriam denunciar a iniquidade do Nazismo e de todo regime político que negue a dignidade e a liberdade dos filhos e filhas de Deus.
Ele era um homem de oração cotidiana, mas, afirmava: “É um insulto a Deus cantar ofícios litúrgicos, enquanto as bombas caem sobre as cidades e muitas pessoas morrem em campos de concentração”. “Para quem é cristão, não basta evitar o mal ou dele fugir. É preciso combatê-lo”. “Nenhuma guerra é justa. Toda guerra é opressora e iníqua”. Na Alemanha, as Igrejas se dividiram. A maioria aceitou colocar ao lado do altar a bandeira com a suástica nazista. Muitas despediram pastores de sangue judeu e algumas chegaram a colaborar com o regime. Bonhoeffer liderou o grupo das Igrejas que ocultavam fugitivos e colaboravam com a resistência. Nesse contexto, o pastor Bonhoeffer decidiu participar de um complô para assassinar Hitler e assim acabar com a guerra. O plano fracassou e ele foi preso.  Afirmou que fez isso não por motivações políticas, mas em nome da fé e como testemunha do Deus que Jesus anunciou nos evangelhos. Foi morto no 09 de abril de 1945.
Na América Latina, todos consideram o pastor Bonhoeffer um dos grandes pioneiros e patronos da Teologia da Libertação. Livros seus como “Ética”, “Vida Comunitária” e “Seguir Jesus” marcaram gerações. No campo de concentração, enquanto esperava a morte, escreveu suas cartas da prisão que estão reunidas no livro “Resistência e Submissão”, hoje, um clássico da literatura cristã.
Em várias cartas, Bonhoeffer coloca a seguinte pergunta: “Como falar de Deus em um mundo no qual Deus não é reconhecido? Antigamente, os cristãos tentavam converter os descrentes a aderir à fé. No mundo contemporâneo, a maioria da humanidade não sente necessidade de religião. A única forma correta de falar de Deus aos que não creem é através do testemunho pessoal, da amorosidade e do modo coerente de viver a ética e a justiça. Por isso, o pastor Bonhoeffer propõe que as pessoas que têm fé vivam profundamente a intimidade com Deus mas de forma a respeitar a sociedade que tem sua autonomia e não precisa de um Deus pai para lhe dizer como deve se conduzir. Os cristãos devem viver mergulhados em Deus, mas inseridos no mundo e como cidadãos iguais aos outros, “como se Deus não existisse”. Ele atualizou essa expressão de um jurista cristão do século XVII para fundamentar a compreensão cristã de uma sociedade laical e pluralista que não pode ceder a fundamentalismos religiosos. Nenhuma Igreja ou religião tem direito de impor a um povo ou nação suas leis próprias. Não deve fazer lobbys para que a sociedade respeite leis e princípios que, embora possam ser válidos para toda a humanidade, são baseadas em crenças de uma ou outra tradição. Tomara que, hoje, nossos congressistas pentecostais ou de qualquer outra tradição religiosa tenham o bom senso de seguir esse conselho do pastor Bonhoeffer: viver em Deus, como se fosse sem Deus.







terça-feira, 14 de abril de 2015

Conversa, terça feira, 14 de abril de 2015

             Acabo de voltar com Penha, minha irmã, de uma liturgia contemplativa. Fomos ver o filme "O Sal da Terra", dirigido pelo diretor alemão Wim Wenders (dos clássicos: Aguirre, a cólera dos deuses, Fritzcarraldo e muitos outros), com a co-direçao do filho de Sebastião Salgado, sobre a vida e a obra do seu pai. Um filme genial porque o documentário nos faz sentir-se como o diretor descobrindo (ele e nós) a riqueza da pessoa, a beleza do mundo de fotos e a aventura de uma vida humana dedicada a contemplar e a amar as pessoas humanas e, no final, toda a natureza. 
           O filme tem uma parte muito dura ou dolorosa quando mostra as fotografias que Salgado tirou da Etiópia no momento mais grave da fome, na guerra de Ruanda e no Sudão. Também na Croácia no momento do conflito com a Sérvia. Meu Deus, que tragédia a humanidade é capaz de produzir e praticar com seus semelhantes. Mas, o filme é de tal forma perpassado por um olhar de humanidade generosa que mesmo essas barbáries parecem vencidas ou ao menos possíveis de se vencer. 
            As fotografias geniais em preto e branco de tantos álbuns ou coleções de Sebastião Salgado nos fazem sair do cinema com as fotos impressas dentro de nós, não apenas na mente, mas no mais profundo do coração.    

sábado, 11 de abril de 2015

Meditação bíblica para o domingo 11 de abril 2015



             Esse 2o Domingo da Páscoa encerra os oito dias da festa pascal mais solene e abre o tempo pascal. O evangelho proclamado nesse domingo (João 20, 19- 31) é a aparição de Jesus ressuscitado aos discípulos no domingo da ressurreição e a nova aparição dele, oito dias depois, quando, então, Tomé estava e aí Jesus se relaciona diretamente com ele. 
               Gosto muito dessa celebração porque creio nessa presença de Jesus, hoje, em meio de nós, nos dando a paz e soprando sobre nós o Espírito Santo.
              Sobre isso, gostei desse comentário que o Centro Dr Alceu nos mandou:      

Portas abertas
Estamos no “primeiro dia da semana”, no primeiro dia de uma nova criação, no primeiro dia de um novo mundo. Tudo começa num clima de medo, no interior gelado daquele recinto cuidadosamente trancado. Pedro e João, no entanto, haviam ido já até ao túmulo e constatado que o mesmo estava vazio. Maria Madalena já lhes tinha anunciado ter visto Jesus vivo. Mas não foi suficiente para fazê-los passar do medo à fé. Mantêm-se ainda trancados naquela sala que mais faz pensar num túmulo, isolado do mundo por uma pesada pedra que fora rolada. Assim como havia ultrapassado os umbrais da morte, Jesus faz agora o caminho inverso: vem encontrar seus amigos no recinto da morte no qual ainda estão prisioneiros. Notemos que, no fim do relato (versículo 21), Jesus os «envia», ou seja, faz com que saiam do seu refúgio. Passa-se do fechamento à abertura e, por isso, do medo, mencionado no versículo 19, à fé significada pela paz que Jesus lhes traz (versículo 21). O mundo se abre para eles. Penso que esta passagem do medo à fé representa um itinerário típico que todos temos de percorrer; não uma vez por todas, mas sem cessar, ao longo de todos os acontecimentos que a vida nos faz atravessar. Não vamos acreditar, no entanto, que devamos nos esfalfar para efetuar esta passagem: para isso é necessária a visita do Cristo. A nossa única tarefa, como sempre, é o acolhimento daquele que atravessa as nossas portas para nos trazer a paz.

O dom do Espírito
O texto que lemos hoje foi chamado de «Pentecostes segundo são João». O esquema, de fato, é idêntico ao de Atos 2,1-11: o dom do Espírito e a partida para o anúncio do Evangelho aos homens de todas as línguas. Por que o dom e o acolhimento do Espírito são necessários para que a Ressurreição do Cristo produzam em nós todos os seus efeitos? Porque, para isso, é preciso que o Cristo deixe de permanecer exterior a nós, «à nossa frente», para se nos tornar interior. É preciso que o seu Espírito venha fazer aliança com o nosso espírito e que, por aí, sejamos recriados (notemos a menção ao sopro divino, como no relato da criação segundo o Gênesis 2,7) à «imagem do Deus invisível», expressão que Paulo emprega para o próprio Cristo, em Colossenses 1,15. Um só e o mesmo Espírito, portanto, para o Cristo e para nós. Por isso é que ele pode enviar também a nós, «assim como o Pai o enviou». Enviados para fazer o quê? Para perdoar os pecados. Ficamos à primeira vista um pouco decepcionados pela aparente exiguidade deste programa. Mas não esqueçamos que é constante nas Escrituras a relação entre o pecado e a morte: chama-se pecado todo comportamento que impede os outros de viverem e que, por consequência, destrói a humanidade em quem o comete e em quem o sofre. Trata-se sempre, portanto, do túmulo aberto, da evasão para fora do domínio da morte. O perdão do pecado, deste pecado que crucifica o Cristo, é Ressurreição.

E Tomé, neste contexto?
Notemos em primeiro lugar que, fisicamente, não estava ele trancado como os outros, em local fechado. Estaria então livre? Perfeitamente em vida? Não, porque estava vivendo sob o regime do «ver para crer». Ora, ver é controlar, apoiar-se numa experiência objetiva. E crer é confiar em quem se dirige até mim. A relação entre quem vê e o que é visto permanece exterior. Já acolher a palavra do outro, ao contrário, consiste em deixá-lo entrar em mim para «me informar», ou seja, dar-me uma forma nova. Nasce daí uma relação verdadeira, que é sempre criadora. Tomé não estava lá, na primeira vez. Permaneceu exterior ao acontecimento da Ressurreição, assim como permaneceu também no exterior da sala onde estavam reunidos os discípulos. Não falemos da «dúvida» de Tomé, pois se trata na realidade de uma recusa a crer (versículo 25). Mas eis que se reproduz a cena do versículo 19: Jesus vai manifestar-se de novo aos seus discípulos que estão trancados em casa, com as portas fechadas. «Oito dias depois»: Tomé teve de marinar em sua incredulidade por esse tempo todo, simbólico. Isto quer dizer que não é preciso desesperar, quando nos encontramos incapacitados para crer? Tomé não abandonou, de qualquer forma, a comunidade dos discípulos. Foi unir-se a eles em sua fé, aos que creram porque viram. O relato termina com a promessa da felicidade para aqueles que irão crer sem ter visto; está aí a nossa condição atual.

Marcel Domergue, jesuíta (tradução livre de www.croire.com pelos irmãos Lara)

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Conversa, sexta feira de Páscoa, 10 de abril 2015

         Participei ontem e hoje pela manhã em Brasília da assembleia do CONIC, Conselho Nacional de Igrejas Cristãs. Fiquei contente de ver essa iniciativa ecumênica sendo revitalizada. Encontrei vários amigos e amigas e senti no pessoal de várias Igrejas uma vocação pela Unidade que me deu profunda alegria de me sentir junto com eles e elas nesse caminho. 
       Agora à noite, cheguei aqui em Correias, distrito de Petrópolis, RJ, onde começa agora o encontro semestral do grupo de teólogos Emaús. Independentemente dos temas tratados, que alegria sentir a amizade e a confiança dos irmãos e irmãs que fazem parte do grupo. Para mim, esse grupo tem um aspecto de formação permanente que me enriquece imensamente e agradeço a Deus por isso. 
     Hoje, se completam 60 anos do falecimento do padre Theillard de Chardin. Nesse dia 10 de abril, domingo da Páscoa de 1955, Theillard faleceu de um infarto fulminante. Ele tinha sofrido muito das suspeitas e perseguição da hierarquia eclesiástica romana que nunca o compreendeu e o aceitou. Graças a Deus, tantos anos depois de sua morte, o mundo inteiro reconhece a sua atualidade e lhe presta a justa homenagem pelo seu esforço de unir ciência e fé. 
Que possamos continuar sua intuição profética e dialogar mais e mais com as ciências atuais na abertura ao que o Espírito diz hoje às Igrejas. 
      Sei que nesses dias, o padre João Pubben completa seus 50 anos de ministério presbiteral. Atualmente de volta a Holanda, sua terra, ele colhe os frutos do seu trabalho de toda uma vida na periferia do Recife (Dois Unidos) e como cuidador de Dom Helder, verdadeiro anjo da guarda do nosso querido profeta. Desde que, há muitos anos, conheci padre João, me sinto interpelado pela sua simplicidade, o senso de humanidade que sempre vejo nele e a graça que Deus lhe dá de ser um espírito sempre aberto e capaz de ver longe e mais do alto. Ah, como seria bom que o seu testemunho de padre pudesse hoje ser passado para as novas gerações de padre e os jovens presbíteros pudessem se apoiar na sabedoria e na profundidade  pastoral de um verdadeiro doutor da fé como é o nosso querido padre João Pubben. Deus lhe dê sempre saúde e força para que ele continue o seu ministério entre nós, ainda por muitos e muitos anos e nós possamos aprender muito mais com ele. E possamos sempre agradecer a Deus o privilégio que é ser amigos e amigas dele. Lembrando a figura de um profeta como foi Theillard de Chardin e comemorando os 50 anos do presbiterato do padre João, ouso relacionar os dois profetas - um pelo trabalho de unir cosmologia, astronomia e fé. E o outro, o padre João, bem mais perto de nós que une tão bem fidelidade ao Evangelho e a sensibilidade humana de um homem maduro em Cristo. Deus o abençoe e o conduza sempre. 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Conversa, quarta feira de Páscoa, 08 de abril 2015

          Daqui há pouco vou à Católica para conversar com o pessoal do Departamento das Ciências da Religião sobre "O processo dos Fóruns Sociais Mundiais e a caminhada da humanidade". E, ao mesmo tempo, lançar o meu livro "Evangelho e Instituição". 
          Desde que vivi na Tunísia essa experiência do 13o Fórum Social, venho pensando em como as Igrejas cristãs deveriam ser as células de um verdadeiro fórum social. Elas foram criadas para serem "assembleias" de comunhão, de caráter universal, isso é, abertas ao mundo todo e com uma espiritualidade pascal, isso é, libertadora e sempre em transformação. Infelizmente, o seu caráter institucional muito forte e baseado na hierarquia (isso é, no poder divinizado) impede que as Igrejas entrem verdadeiramente nesse processo. Por isso, o Fórum Mundial realiza uma espécie de eclesialidade horizontal sem Igreja institucional. Mas, com o mesmo objetivo que seria o das Igrejas: um novo mundo possível, ou o que as Igrejas chamam de "reino de Deus". 
           Vou contar como se realizou esse processo, quais suas conquistas e seus desafios. Quanto ao meu livro, vou apenas responder perguntas. Espero que ele fale por si mesmo e não precise de muitas explicações.