quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Artigo semanal, quinta feira, 30 de outubro 2014

Primeiro, armar. Depois, bombardear



É assim em nome da segurança. No entanto, parece que, quanto mais se reforça a segurança militar e armada, mais inseguro o mundo se torna. As grandes potências fabricam armas. Vendem-nas a quem oferece preço melhor. Depois, quando esses grupos, armados pelo Ocidente, vão contra os interesses dos governos que os armaram, esses os bombardeiam. Disso, o governo norte-americano tem uma longa experiência. Saddan Hussein, Osana Bin Laden e tantos outros foram armados e custeados pela CIA norte-americana. Depois, o mesmo governo os combateu e eliminou. Até pouco tempo, os EUA financiaram armas para rebeldes sírios. Agora, dizem ter de eliminar o chamado “Estado Islâmico”. Armas e dinheiro norte-americano sustentam o a guerra do Estado de Israel contra o povo palestino. No entanto, de vez em quando o presidente dos Estados Unidos deve fingir que promove a paz.
É por conhecer tudo isso que, de 24 de outubro até o dia 31, a ONU propõe a humanidade a “semana do desarmamento”.  Conforme o “Termômetro dos Conflitos”, organismo internacional coordenado pela Universidade de Heideberg, no final de 2012, tinham sido registrados no mundo 396 situações de conflitos, dos quais 40 mereceram o nome de “guerras limitadas” e 30 recebem o nome de “guerras internacionais”.
Existem os países em guerra e outros que se beneficiam economicamente com o mercado da guerra. Logo depois do narcotráfico e das drogas, o maior e mais lucrativo negócio do mundo é a guerra. O cálculo de despesas militares provocado pelo mercado de armas e pelas guerras chega a quase dois bilhões de dólares. O Instituto de Pesquisa para a Paz em Estocolmo calcula que, se os gastos militares em um ano fossem divididos pelo número de habitantes, 300 dólares teria sido a quantia que, durante o ano de 2013, cada habitante do planeta Terra teria destinado para despesas militares. Em função da indústria de armas, existe a ciência da guerra. Técnicos e cientistas devem, a cada dia, atualizar e sofisticar mais as armas químicas, biológicas e operacionais. Atualmente, o governo dos Estados Unidos já tem prontos os chamados “robôs assassinos”. Eles irão aos campos de guerra no lugar dos soldados americanos. Serão teleguiados por satélite. Poderão matar impunemente e não poderão ser presos. São máquinas dotadas de velocidade, perfeita visão da realidade e capacidade de matar. De acordo com notícias internacionais, a China, a Rússia, Israel e a Inglaterra já se candidatam para receberem esses soldados para as novas guerras do século XXI. Se a realidade dos combates é assim tão atualizado, as consequências humanas não mudam. Conforme a UNICEF, mais de um bilhão de crianças e adolescentes vivem em cenários de guerra. Entre esses, 300 milhões têm menos de cinco anos de idade.
Quando pensamos nessa tragédia das guerras no mundo, um fato que pouca gente conhece e que deveria nos escandalizar mais do que qualquer outra coisa é que, segundo uma pesquisa feita por institutos europeus, publicada na revista Mosaico di Pace, dezembro de 2013, as atuais guerras têm como motivação primeira questões econômicas e em segundo lugar, divisões religiosas. Isso significa que, até hoje, as religiões que deveriam ser instrumentos de paz e canteiros de uma cultura de amor e diálogo ainda servem de pretexto e de justificativa para que povos e grupos humanos se combatam uns aos outros.

Essa realidade deve levar todas as religiões e tradições espirituais a uma profunda revisão da forma como falam de Deus e como expressam o seu caminho de comunhão com a divindade.   

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Conversa, quarta feira, 29 de outubro 2014

         Hoje se conclui no Vaticano um encontro que o papa Francisco coordena com líderes de movimentos sociais do mundo todo que o papa convidou para encontrá-lo e para ajudá-lo a pensar sobre a realidade social e sobre como propor uma mudança social mais profunda. É a primeira vez que um papa toma esse tipo de iniciativa e reúne líderes sociais, não para falar a eles, mas para escutá-los. Entre os convidados, está meu amigo João Pedro Stédile, representando o MST e a Via Campesina de toda a América Latina. Esse diálogo entre os movimentos sociais e o papa pode ser um bom programa para ser retomado em cada local, entre os que trabalham no social e as pessoas que atuam em pastorais de Igrejas cristãs. 
       Ao saber que, pela primeira vez, se reunirão no Vaticano líderes sociais dos quais muitos não têm nenhum vínculo com religião e para falar claramente ao papa, um cardeal romano perguntou: "Andando por esse caminho, aonde iremos chegar?". Soube que o papa respondeu sorrindo: "No que o Evangelho nos manda fazer!". 
            

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Conversa, segunda feira, 27 de outubro 2014

          Tive uma viagem de volta cansativa, mas cheguei bem e em paz. Votei e à noite tive a alegria de ver que, apesar de tudo, a presidente Dilma se reelegeu. Gostaria de ver o Brasil em um novo patamar, mais integrado e justo, com um governo atento à ecologia, aos povos indígenas, à justa causa dos lavradores sem terra e de uma ética nova - do diálogo e da solidariedade. Infelizmente, o atual sistema político de alianças entre partidos e com o Congresso que temos, é muito falho. 
       Nessa realidade, voltar ao PSDB e com um homem como Aécio, seria voltar ao Brasil atrelado aos interesses dos Estados Unidos, isolado dos governos progressistas latino-americanos e com a moral que sempre imperou nesses governos de direita. Por isso fico contente com a vitória de Dilma. Mesmo consciente das limitações e da luta que os movimentos sociais terão de fazer, é melhor ter um governo aliado que um governo inimigo. Parabéns, Brasil!  

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Meditação bíblica para o domingo, 26 de outubro 2014


   Como estou viajando amanhã cedo e passarei o dia inteiro em aeroportos e aviões, não poderei escrever em tempo a meditação bíblica que sempre faço para o evangelho do domingo. Por isso, simplesmente copio a reflexão enviada pelo Centro Dr Alceu Amoroso Lima e me parece boa e profunda.


A PARTILHA DAS REFLEXÕES BÍBLICAS É UMA PARCERIA ENTRE 
XICO LARA 
E O 
CENTRO ALCEU AMOROSO LIMA PARA A LIBERDADE/CAALL



DOMINGO, 26 DE OUTUBRO DE 2014: 30º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A
Qual é o maior mandamento? São dois mandamentos com um verbo só: «Amar». E dois sujeitos a se amar: 

Deus e o próximo. Dito isto, está tudo dito. E todos os outros mandamentos dependem destes. Reunirmo-nos neste domingo é darmos a Deus prova de que o amamos e que decidimos amar o nosso próximo. Nada mais, nada menos.

Textos deste Domingo
           
Os dois mandamentos
As diversas passagens do evangelho que, há alguns domingos, estamos lendo, estão situadas nos últimos tempos de Jesus: a paixão vai se aproximando. Podemos considerar estes textos como uma espécie de testamento; palavras que coroam e resumem o conjunto da mensagem. Notemos que nossa leitura de hoje guarda plena coerência com o «Discurso após a Ceia», do Evangelho de João: o convite ao amor mútuo, pelo qual passa o amor a Deus, é de qualquer forma a última palavra do nosso evangelho. É este o amor que Jesus vai agora afixar na cruz. Lembremos que os dois mandamentos citados por Jesus não fazem parte do Decálogo. O primeiro encontra-se em Deuteronômio 6,5, no famoso «Escuta Israel», que é frequentemente recitado pelos judeus. O segundo vem do Levítico 19,18, capítulo no qual encontramos uma grande variedade de fórmulas a respeito do amor ao próximo. A novidade trazida pelo evangelho de hoje consiste em declarar «semelhantes» estes dois «mandamentos» tirados de dois livros diferentes. Para mim, aqui, este «semelhante» não significa somente «comparável», mas «idêntico». Em outras palavras, o nosso amor para com Deus só pode ganhar forma através do nosso amor para com os outros. Lembremos o que diz João, em sua primeira carta (4,20): «Quem não ama seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê.»

A única relação ao Deus desconhecido
Uma questão se põe: pode alguém amar a Deus a quem não vê e em quem às vezes nem mesmo crê, simplesmente amando os outros e colocando-se a seu serviço? Pode-se amar a Deus sem saber? A resposta é sim. E é exatamente o que está dito em Mateus 25,21-45. O texto é célebre: «Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, era forasteiro e me acolhestes, estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, preso e viestes ver-me.» Quando fizemos tudo isto? Perguntam estupefatos os destinatários desta declaração, ou melhor, desta revelação. Conhecemos a resposta: «Cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes.» Os interlocutores ficaram surpresos! Este é um convite para que olhemos com outros olhos a quantos, solitariamente ou no quadro de organismos diversos, consagram parte de suas vidas aos necessitados do Terceiro Mundo ou aos rejeitados e excluídos das nossas sociedades de consumo. O Cristo encontra-se, escondido, nos homens que a vida crucifica e, também, nos que lhes prestam socorro. O «Reino» já está aí. Jesus, no evangelho, diz que tudo o que está nas Escrituras, toda a Lei e os Profetas dependem destes dois mandamentos do amor, que são apenas um. Esta é uma das chaves que deve orientar a nossa leitura da Bíblia, submetendo-a à busca do amor.

O Amor acima de tudo
Na versão paralela de Marcos (12,28-34), lemos que o duplo mandamento do amor não apenas recapitula o conjunto das Escrituras, mas também que vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios. O que equivale a dizer que o culto, o rito não serve para nada se não for a expressão e celebração de um amor que, além disso, no quotidiano, seja o motor da vida. Somos, no entanto, muito hábeis, até mesmo sutis, em nos esquivarmos, em encontrar sucedâneos a um amor que ama como o Cristo nos ama, ou seja, dando a nossa vida (ver João 15,13). Confundimos com facilidade o amor a que se refere o Evangelho com um simples sentimento de afeto que frequentemente não sobrevive à prova, ou com uma atração física, psicológica ou mesmo sexual que com o tempo pode revelar-se o inverso do amor: a decisão do dom de si mesmo confunde-se então com o seu contrário, a vontade de possuir, de usufruir o outro e, até mesmo, de dominá-lo. Por isso devemos desconfiar quando vamos repetindo «amor,…amor», o que faço aliás neste momento, seguindo Jesus em seu discurso após a última Ceia, segundo João 13-17. Para Paulo, o amor, a que chama preferentemente de «caridade» e que é o cumprimento da Lei (ler Romanos 13,6-10), está acima da fé, que um dia cederá lugar à visão; acima da esperança, que terá fim quando entrarmos na posse da vida que ela espera e que é o lugar de acesso ao amor integral (1 Coríntios 13). Não esqueçamos que Amor é o outro nome de Deus.

Marcel Domergue, jesuíta (tradução livre de www.croire.com pelos irmãos Lara)

Conversa, sexta feira, 24 de outubro de 2014

      Hoje, o meu amigo padre João Pubben me escreveu da Holanda que leu no livro das vigílias de Dom Helder Camara uma anotação do Dom, feita na 595a carta circular, escrita em Recife, na noite de 24 a 25 de outubro de 1969: 
      “Foi de abalar a cerimônia de ordenação de um diácono e dois Padres, no Mosteiro de São Bento. Como está válido o novo texto do ritual de ordenação!... Havia uns 30 Pastores presentes: saíram engasgados de emoção.”
        Sim, um desses padres ordenados pelo Dom naquela tarde no mosteiro de Olinda era eu. E ele, penso, não disse o nosso nome (o meu, o de Beda, o outro padre ordenado e o do diácono - Sílvio Milanez - para evitar algum problema com a censura militar que naquele momento era muito dura contra ele e contra todas as pessoas ligadas a ele. De qualquer modo, o importante é que ao me enviar essa anotação, João me faz lembrar isso que o Dom anota: "havia uns 30 pastores presentes e eles saíram engasgados de emoção". De fato, eu já tinha a inserção que tenho com irmãos e irmãs de Igrejas evangélicas e um bom grupo esteve presente naquela celebração de ordenação presbiteral. 
        Hoje, embora na diáspora (ou seja, sem estar morando em nenhuma comunidade de monges) e em situação muito diferente daquela de quando tinha 24 anos de idade, faço a memória daquele momento de Deus. Agradeço ter sido ordenado e ter sido ordenado pelo Dom, com a graça própria que isso significou para mim - em termos de assumir uma linha de Igreja, um modo de ser padre, uma espiritualidade própria que aprendi com ele e com o tempo consegui sintetizar ao unir a tradição dos monges e ao mesmo tempo a mística do reino da teologia da libertação (quantas pessoas me diziam que isso não era possível e Deus me deu a graça de fazer, ao menos na minha vida pessoal e nos meus trabalhos). 
          Agradeço ao Dom ter me indicado o caminho de um ministério presbiteral de forma não clerical e inserido. Exatamente por isso não digo nada aqui a meus amigos italianos sobre esse aniversário e celebro apenas no meu coração. 
                 A vocês que estão lendo essas linhas, o que peço é que rezem por mim para que o Espírito me fortaleça nesse caminho indicado por Dom Helder. 
                

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Conversa, terça feira, 21 de outubro 2014

               Sorrivoli é um lugarejo vizinho à cidade de Cezenna, perto de Rimini, quase no litoral do mar Adriático. Aqui, tem sua casa original o cineasta Roberto Begnini com o qual me encontrei uma vez e me agradeceu uma carta que eu havia escrito aos artistas italianos. Durante a segunda guerra, Sorrívoli foi bombardeada e a Igreja paroquial foi destruída. Depois da guerra, uma família rica deu o seu castelo para ser a sede da paróquia. O atual pároco se chama Pasquale. Ele fez no Castelo uma comunidade de artistas e intelectuais que vêm de vários lugares para encontros, reuniões, reflexões e celebrações. (Begnini é um deles que sempre que pode aparece). Já vim aqui várias vezes e conheço uma boa parte do grupo. 
          Hoje, estou aqui, acabei de chegar (depois de uma viagem de mais de seis horas) para apresentar o meu novo livro "Evangelho e Instituição". De um lado, teria a tendência de pensar que esse tipo de assunto (sobre a Igreja como instituição e o Evangelho) poderia não interessar a muitos deles, mas descubro que, ao contrário, interessa muito. Pediram-me esse tema. Aceitei, mas contanto que não precise dar conferência. Puxo o assunto de forma provocativa e aí dialogamos. É meu penúltimo compromisso nessa minha passagem na Itália. Amanhã vou a Verona onde tenho amigos, posso descansar um pouco e só na quinta à noite, tenho uma palestra. Na sexta, retomo minha viagem de volta a Recife. 

domingo, 19 de outubro de 2014

Conversa, domingo, 19 de outubro 2014

              Pinerolo é uma cidade de uns 30 mil habitantes, como tantas do interior do Brasil. Fica no norte da Itália, já olhando os Alpes que, nessa região, dividem a Itália (do lado de cá) e a França (do lado de lá). Mais ou menos perto do famoso Monte Branco. Pinerolo tem um centro de dois ou três séculos e alguns bairros feitos recentemente. Aqui em uma paróquia do centro tem um padre que todo ano vai passar um mês no sertão da Bahia - Cícero Dantas - uma região paupérrima, quente e seca - vai com um grupo de jovens para fazer voluntariado e servir ao pessoal do lugar. 
               Aqui com um grupo bíblico que tem gente de 70 e tem jovens (uns cinco ou seis) na casa dos 20, estou concluindo um comentário ao evangelho de Marcos em forma de diálogo. Muito enriquecedor para mim que sempre aprendo muito das questões que eles colocam. 
              Na sexta feira, ante-ontem, como tinha contado aqui visitei e almocei em uma comunidade muito diferente das que conhecia até aqui. Chegamos (eu e Antonio Vermigli) em um prédio de periferia de cidade. Um lugar chamado Fidenza, perto de Parma. 
          Um prédio de apartamentos de quatro andares e longo. Moderno, de bom gosto, todos os apartamentos de terraço e dando para o sul de onde vem o sol da manhã e o vento. 
               Ali fomos recebidos por um senhor (Mauro) que nos contou: "Aqui vivem 15 famílias que, desde uns 12 anos, decidiram viver em comunidade. Compraram o terreno juntos e juntos construíram os apartamentos. Todos têm a mesma configuração e todos dão para o terraço que é uma área comum. Embaixo (no piso térreo) ficam a sala comum de refeições, cozinha, depósito, dispensa, sala de eletricidade, uma central de eletricidade. Têm energia solar e aquecimento de água sem pagar nada. Eletricidade praticamente gratuita, etc... Das 15 famílias, cinco escolheram ter toda a economia em comum (menos propriedade de imóveis por respeito aos filhos e questões de herança). Mas, o que ganham em salário põem em comum e é administrado por uma pessoa de fora. E cada um pega da caixa comum o que precisa. Só se o gasto exceder a certa soma (por exemplo, alguém quer comprar um carro) aí precisa ver se a caixa tem dinheiro e se todos autorizam. Mas, para os gastos simples do mês, são livres".
        Perguntei: - E a motivação que levou vocês a isso foi ou é religiosa?
        Ele: - Não. A comunidade é totalmente leiga. Alguns vêm de tradição cristã e de fato a fé nos ajudou a optar por isso. Mas, de nossa parte. Outros vêm de opção social e política. A comunidade não é de caráter religioso e nem se fala nisso... 
       - E os filhos de cada família, entram nessa opção dos pais?
      Ele: É livre. Alguns sim. Outros não. Quando crianças são criados juntos e isso de todo modo é bom e positivo e educa muito. Quando crescem, têm toda liberdade de cada um tomar o seu rumo. 
        - E como administram as diferenças e conflitos que aparecem?
       Ele: Temos uma reunião semanal das cinco famílias que põem tudo em comum e temos um facilitador que não é chefe nem coordenador, nem manda em nada, mas é encarregado de nos ajudar nas relações, no diálogo que é sempre um desafio... E temos também a assembleia de todos - das 15 famílias - agora 13 - que também tem alguém para ajudar na coordenação. Normalmente, não há problemas. As vantagens e ganhos são imensamente maiores do que as dificuldades. 
       De fato, ele nos mostrou todas as coisas comuns e fomos para o almoço comum embaixo - no piso térreo. Havia umas 30 pessoas, com alguns adolescentes e duas ou três crianças. O ambiente me pareceu o melhor possível. 
       Nunca tinha conhecido uma experiência assim. Como sempre conheci comunidades religiosas e essas estão em crise grave, fiquei impressionado de conhecer uma não religiosa, livre e feliz.