terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Conversa, terça feira, 09 de fevereiro 2016

              Ao olhar pela televisão as imagens do Carnaval nas diversas regiões do Brasil, tenho sempre a impressão de uma espécie de democratização da alegria. Vejo pessoas de origem as mais diversas e das mais diferentes classes sociais brincando juntas na rua como irmãs. Mesmo se essa realidade é passageira e muitas vezes não vai além da superficialidade do momento, assim mesmo é uma interpelação à sociedade de que o mundo poderia ser mais alegre, mais leve e fraterno. 
                 Lembro que nos anos 70, Cacá Diegues fazia o filme "Quando o Carnaval chegar" que parecia uma simples comédia musical centrada em uma troupe de cantores ambulantes, vividos pelos jovens Chico Buarque, Maria Bethânia, Nara Leão e Gal. Mas, a trilha sonora do Chico advertia: "Quem me vê assim, parado, distante, parece até que eu nem sei sambar. Tou me guardando prá quando o Carnaval chegar...". E aí se aludia claramente ao Carnaval da liberdade que a ditadura militar da época não deixava pensar. A ditadura acabou e até hoje continuamos a esperar e a preparar esse carnaval novo e definitivo da liberdade para todos e da igualdade de condições de vida e no qual a festa da comunhão seja o jeito normal de viver... 
            Para mim que tenho fé, ligo isso com a celebração pascal e vejo na Páscoa de Jesus essa profecia de uma ressurreição geral e definitiva para todos.  

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Conversa, segunda feira, 08 de fevereiro 2016

        Não pude escrever ontem por ter todo o meu dia ocupado em Campina Grande no Encontro da Nova Consciência. Pela manhã,  celebrei o ágape ecumênico, a ceia de Jesus. Se chamamos de missa, sou bombardeado pelos guardiões da ortodoxia católica que dizem não ser permitido celebrar a eucaristia ecumenicamente. Como se a ceia de Jesus não fosse em si mesmo o sacramento da unidade e como se essa unidade de todos em Deus não fosse além da Igreja. Mas, o fato é que vi gente comovida e outros que me diziam obrigado por terem se sentido reconciliados com Jesus. 
      À tarde, fizemos o ato interreligioso pela paz. Sempre com o risco de muito narcisismo dos representantes religiosos que, muitas vezes, no lugar de orar pela paz, põem-se a falar de sua religião e de si mesmos... De todo modo, foi um belo momento... no pôr do sol de Campina Grande. 
      Ontem, era o aniversário de nascimento do nosso mestre Helder Camara. Nesse ano, caiu em pleno domingo de Carnaval e por isso no Recife os seus amigos e discípulos lembrarão essa data no dia 28 de fevereiro. Nesse ano, quero lhe dar um presente. Prometi aos italianos atualizar e completar alguns elementos para uma nova edição do meu livro "Dom Helder Camara, profeta para os nossos dias"  e recebi um convite para lançar a nova edição italiana em maio, no Vaticano, com a presença de um cardeal amigo (não digo ainda o seu nome até ter sua participação confirmada) e há um convite para que eu entregue o livro nas mãos do papa. Eu participaria da missa do papa às sete da manhã na Casa Santa Marta e depois da missa poderia estar um momento com ele e entregar-lhe o livro sobre Dom Helder. Recebi essa proposta de amigos de Roma. Respondi: vamos ver. Agora, a primeira tarefa é tempo e luz para melhorar o livro e torná-lo mais atual... Rezemos. 

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Conversa, sábado, 06 de fevereiro 2016

        Estou em Campina Grande, PB, onde ontem, fiz a conferência inaugural do 25o Encontro da Nova Consciência. Como sempre, um público de mais de 200 pessoas (nos primeiros anos passavam de dois mil). E entre pessoas que praticam técnicas de auto-ajuda, muitas pessoas ligadas a grupos de nova era (new age) e Xamãs indígenas e pessoas de tradições negras e indígenas (em bem menor número). Nesse ano, o tema geral escolhido pela coordenação foi "Civilização e Barbárie: suas ações podem mudar o planeta". 
     Quando me coloquei no palco para iniciar a conferência, alguém soprou em meu ouvido que o Power Point não funcionaria e que o vídeo da Campanha da Fraternidade que eu queria passar no final de minhas palavras também não estaria disponível. Parecia um boicote. Mas, fiz a conversa e senti que todos gostaram, mesmo se foi simplesmente olho no olho e coração a coração. 
      Apoiei-me na encíclica do papa Francisco sobre a ecologia e nas palavras do Dalai Lama sobre que todos nós temos dentro do coração sementes de compaixão e é preciso deixá-las florescer e mais ainda cultivá-las... 
      

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

artigo semanal, quinta feira, 04 de fevereiro 2016

A festa do encontro

Marcelo Barros

Em todo o Brasil, já se respira o clima do Carnaval. Em algumas capitais do Nordeste e do litoral, a festa começou há vários dias e se prolonga por outros. Muita gente espera o ano inteiro por esses dias. Outros aproveitam para descansar ou viver alguma experiência alternativa. Grupos contrários à folia fazem encontros paralelos. Grupos de tradição católica fazem o que chamam de “Cristoval”, ou “carnaval de jovens cristãos”. Evangélicos e pentecostais fazem acampamentos de juventude. Essa diversidade é positiva. O que não podemos concordar é que grupos católicos e evangélicos tomam posições conservadoras e acentuam que Deus está com eles e não com os outros.   
Em 1975, em uma crônica de rádio, assim se expressava Dom Helder Camara, então arcebispo de Olinda e Recife: "Carnaval é a alegria popular. Direi mesmo, uma das raras alegrias que ainda sobram para a minha gente querida. Peca-se muito no carnaval? Não sei o que pesa mais diante de Deus: se excessos, aqui e ali, cometidos por foliões, ou farisaísmo e falta de caridade por parte de quem se julga melhor e mais santo por não brincar o carnaval. Estive recordando sambas e frevos, do disco do Baile da Saudade: ô jardineira por que estas tão triste? Mas o que foi que aconteceu....Tú és muito mais bonita que a camélia que morreu... Brinque meu povo querido! É verdade que quarta-feira a luta recomeça. Mas, ao menos, se pôs um pouco de sonho na realidade dura da vida!" (crônica de 01/ 02/1975 no programa “Um olhar sobre a cidade”- Rádio Olinda - AM). 
É verdade que daquele tempo para cá, o mundo mudou muito. Aliás, já tinha mudado antes. O Carnaval surgiu em tempos de cultura religiosa, quando as pessoas brincavam três dias para depois entrar na penitência da Quaresma. Atualmente, o Carnaval se torna um intervalo em meio a um ano de trabalho. É verdade que até as festas populares se tornaram comerciais. No entanto, vários filósofos atuais mostram como, para um mundo doente, o remédio mais eficaz é a “Ética da Convivência”. Muitas vezes, a delicadeza é vista como sinal de insegurança ou fraqueza. Por isso, é importante insistirem relações humanas baseadas na gentileza e na ternura, como algo belo e humano. A maioria dos meios de comunicação de massa tem a tendência de apresentar o outro, principalmente o desconhecido, como ameaça e perigo à segurança. Nesse contexto, brincar juntos nas ruas com conhecidos e desconhecidos é profecia de outro modo de organizar o mundo. Nesses dias, em várias cidades do Brasil e do mundo, é isso que as pessoas fazem. Sem dúvida, é preciso evitar excessos que ocorrem, tanto no plano do abuso de bebidas, uso de drogas, banalização do sexo e instrumentalização do outro e mesmo da violência que ocorre em qualquer manifestação de grande massa. No entanto, no ano passado, um sociólogo europeu, depois de ver nas ruas do centro do Recife dois milhões de pessoas brincando e pulando ao sol do Galo da Madrugada quis saber da polícia qual a estatística de violência, roubos e problemas ocorridos na ocasião. Voltou à sua terra e escreveu um artigo dizendo: Não poderia imaginar em Paris ou em Berlim tal manifestação de massa com tão poucas violações da lei e da paz. No Carnaval de uma capital nordestina, se constataram menos problemas sociais do que em uma noite de ano novo na praia de Copacabana. De fato, a publicidade negativa dos meios de comunicação falam em muita violência no Carnaval, mas a pesquisa sociológica não comprova isso. Durante os dias de Carnaval tem menos violência do que em alguns dias comuns do ano. 
Seja como for, pelo seu caráter de festa de rua, o Carnaval aponta que  é possível sentir prazer em se estar juntos. A cada ano, em Campina Grande, PB, se reúnem pessoas de todo o Brasil e ligadas às mais diversas tradições espirituais, para mais um “Encontro da Nova Consciência”. É um encontro que começa na noite da sexta feira antes do Carnaval e se encerra na noite da terça.  Ali se encontram de várias religiões, índios nordestinos na defesa de suas culturas, ecologistas e pessoas interessadas na medicina natural. Muitas das iniciativas têm em comum a dança e o prazer de se estar juntos. Ali se ensaia um jeito de viver, alternativo aos dogmas da produção, consumo e competição. No domingo à tarde, todos/as são convidados/as a uma marcha e ato interreligioso pela Paz. Nesse ano, o encontro terá como tema: “Civilização ou Barbárie: suas ações vão definir o futuro do planeta”.
Na sociedade atual, as tradições religiosas têm a função de incentivar um convívio amoroso da humanidade para testemunhar que  somos todos irmãos e irmãs de uma única humanidade. A Bíblia tem um salmo que canta: “Como é bom e suave os irmãos viverem – conviverem em harmonia” (Sl 132).


domingo, 31 de janeiro de 2016

Meditação bíblica, domingo, 31 de janeiro 2016

          Neste 4o domingo comum do ano, a Igreja nos convida a escutar e meditar a continuação do texto que líamos no domingo passado (Lc 4, 16 em diante). Na sinagoga de Nazaré, em um sábado, Jesus anuncia um ano de graça, como esse ano de jubileu da misericórdia que o papa Francisco propõe para esse ano. Um ano para curar as pessoas, cuidar dos feridos e libertar os oprimidos. 
- No caso de Jesus, em Nazaré, seus conterrâneos da sinagoga o acolheram como terapeuta, mas o queriam com exclusividade. Exigiam que a missão de Jesus fosse “só para nós”. Jesus percebe isso e não acolhe o entusiasmo deles. Este é o sentido dos últimos versículos dessa cena de Jesus na sinagoga de Nazaré. Ele revela que, assim como Elias e Eliseu fizeram no passado, ele também dirigirá a sua palavra e sua ação para os “outros”, para os “de fora”. Então, os homens da sinagoga ficam furiosos com ele e chegam a querer matá-lo. 
Parece que Jesus provoca duas reações:
1 – O texto diz: “eles ficaram espantados com o fato de que ele só tenha lido Isaías e tenha ficado só com as palavras de graça” (ele pulou o versículo que falava da vingança de Deus). 
2 - Vão ficar mais espantados ainda quando Jesus justifica dizendo que esse Jubileu é para todos e principalmente para os outros, para os estrangeiros, os migrantes, os não religiosos. 
Ali na sinagoga, aqueles fieis são a favor do Messias, mas desde que sua ação salvadora seja em benefício do “nosso grupo” e não dos “de fora”. Era como se cada um dissesse: ‘Eu acreditarei no enviado de Deus se ele for poderoso, em meu favor... e vingativo para com os outros’. Este é um desafio atual para todos nós. Como pobres, devemos acolher a Palavra e, ao mesmo tempo, somos chamados a continuar essa missão de Jesus de “ser para os outros”. Deixar-se possuir pelo Espírito para ser pessoas de cura e de libertação. Nessa mesma linha do que fez Jesus, um pequeno trabalho, mas importante, é ser capaz de reler os textos antigos como Ele, Jesus, fez: reler os salmos e os textos bíblicos, reinterpretando a Palavra de Deus para que possa ser, hoje, para todas as pessoas, uma palavra de graça e de paz.
Este incidente na sinagoga de Nazaré provoca uma ruptura. Ele chega a Nazaré com prestígio e sai quase clandestino. Os conterrâneosde Jesus querem matá-lo e ele escapa por pouco da mão daqueles religiosos da sinagoga, justamente os que se pensavam como sendo os mais espirituais. Deixaram-se tomar pelo fanatismo e pelo fundamentalismo religioso.
Essa proclamação que Jesus faz do seu projeto de vida e de ação fundamenta todo o nosso esforço pelo diálogo intercultural e inter-religioso. Mostra que o pluralismo que existe no mundo de culturas e de religiões está dentro do plano divino e que devemos não somente aceitá-lo, mas aprender com essa boa diversidade. E quem é discípulo/a de Jesus sabe que é chamado a ser como Jesus: sentir-se enviado/a para servir e dar testemunho do amor divino aos de fora (de outras religiões e outras culturas) e não apenas para os de dentro (das Igrejas e instituições da nossa cultura e religião). 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Conversa, quarta feira, 27 de janeiro 2016

          Estou em Treviso, no norte da Itália. O frio é suportável (cinco graus) e também o ritmo de trabalho. Em geral, por onde passo, o tema que as pessoas escolhem é o mesmo. Pedem para falar sobre a encíclica Laudatum sii do papa Francisco e o que podemos fazer para deter esse caminho de destruição do planeta. 
           De fato, aqui na Europa se vê mais do que em outras regiões o derretimento dos montes antes gelados, o desequilibrio das temperaturas e a sociedade que navega indiferente em meio a tudo isso. Ao mesmo tempo, a Igreja dividida. Tenho vindo à Itália, desde 1988 ao menos uma ou duas vezes ao ano. Comumente, as pessoas que vêm a um encontro ou conferência comigo já sabem a minha linha de pensamento e vêm porque concordam ou ao menos se abrem a essa perspectiva de ver o mundo a partir dos pobres e a fé em uma perspectiva ecumênica e ligada à vida. Dessa vez, em todos os encontros, seja onde seja, em Verona ou aqui, sempre, cada dia, têm sempre vindo aos encontros um pequeno grupo (dois ou três homens) de grupos lefrevistas ou de Opus Dei ou Comunhao e Libertaçao. E vêm para perturbar e provocar polêmicas. Em geral, sentam-se o mais na frente possível, durante a conferência, dão sinais de que não estão de acordo e quando se abrem as perguntas ou diálogo, se inscrevem e dizem as mesmas coisas: Jesus só fundou a Igreja Católica, as outras não têm razão de existir, o papa deve ser o chefe, deve condenar a Maçonaria, os problemas do mundo são espirituais e se eu cumprisse minha missão de padre - converter as pessoas ao Catolicismo - ecologia, justiça, tudo estaria bem melhor... Escuto, vejo a reação de impaciência do auditório, dou uma palavra sobre a aceitação da diversidade e o direito de termos opiniões diferentes e cito uma palavra de Jesus na direção contrária ao que eles disseram e pronto. Agradeço e passo adiante. Mas, o que significa isso? Não sou uma pessoa importante para que esses grupos decidam marcar a mim, como em um jogo de futebol se marca um jogador que é "acompanhado" para se neutralizar... 

domingo, 24 de janeiro de 2016

Meditação bíblica, domingo, 24 de janeiro 2016




Antes de começar a narrar o ministério público de Jesus, Lucas quer deixar muito claro a seus leitores qual é a paixão que impulsiona o Profeta da Galiléia e qual é a meta de toda sua atuação. Os cristãos deverão saber em que direção o Espírito de Deus move a Jesus, pois segui-lo é precisamente caminhar com Ele  na mesma direção.
Em Lc 4,14 começa propriamente a vida pública de Jesus com este relato da pregação na sinagoga de seu povoado, depois de uma breve introdução geral na qual fala de seus ensinamentos nas sinagogas da Galiléia. Ao aplicar-se a si mesmo o texto de Isaías, Jesus está declarando sua condição de “Ungido”.
Ele voltou à Galiléia conduzido pelo Espírito.
Aqui está a chave. Só o Espírito pode nos capacitar para cumprir a missão que temos como seres humanos. Tanto no AT como no NT, ungir era capacitar alguém para uma missão. Paulo nos diz isso com uma claridade meridiana: se todos bebemos de um mesmo Espírito, seremos capazes de superar o individualismo, e entraremos na dinâmica de pertença a um mesmo corpo.

A primeira coisa que chama a atenção é a apresentação que Lucas faz de Jesus como alguém que é movido “pela força do Espírito”. Nem sempre somos conscientes das “forças” que nos movem em nosso viver cotidiano, tampouco das motivações reais que nos impulsionam a tomar certas decisões. Dois dinamismos atuam em nosso interior: um, de impulso para algo maior, para o serviço, para ser presença inspiradora; outro, de atrofia, de acomodação e medo. Qual das duas “forças” alimentamos em nosso interior?
Jesus chamava a atenção pela claridade de suas motivações e a coerência com as mesmas: é o homem íntegro e fiel, lúcido e transparente. Deixa-se conduzir pelo Espírito no mais profundo de si mesmo; deixa que Deus viva nele; deixa Deus ser Deus nele.

          Nesse domingo, em uma Verona dominada pelo frio (perto de zero grau) e diante de uma comunidade de intelectuais e artistas, devo pregar sobre o texto do evangelho que, durante todas essas últimas décadas, na América Latina, mais nos moveu na direção da Teologia da Libertação e da radicalidade de nossa opção pelos empobrecidos e excluídos do mundo. Não quero idealizar o passado, nem negar muitos elementos bons e positivos da pastoral atual que encontro em várias dioceses do Brasil e de outros países em nosso continente, mas não posso deixar de reconhecer que, nos tempos "da caminhada", como chamávamos a época em que nossa Igreja vivia mais de cheio e sem hesitações a profecia do evangelho, parece que escutávamos as palavras de Jesus na sinagoga de Nazaré dando para nós mesmos as credenciais de nossa missão. Aquela mensagem de Jesus era nova e diferente, surpreendente e provocativa para seus ouvintes. Tanto foi assim que a reação deles foi de hostilidade e até de querer matá-lo. Jesus teve coragem de ler o texto bíblico mudando o texto de Isaías, tirando dele um versículo de ameaças e deixando só as palavras boas de graça e as profecias de libertação. Do outro lado, disse: Hoje isso se cumpre...  
             É a missão dele. É a nossa missão. Penso que mais difícil para as Igrejas cristãs sempre foi ligar essas duas dimensões que Jesus viveu e mostrou bem unidas: a opção revolucionária, (mudar esse mundo social e estruturalmente) e, ao mesmo tempo, testemunhar que queremos viver isso, como Jesus, "movidos pelo Espírito". Até hoje, muitos cristãos se crêem "movidos pelo Espírito" quando se alienam do mundo, se refugiam em orações sentimentais e em celebrações narcisistas e fora da vida. Não tenho receitas, não sei como fazer, mas percebo que Deus me pede (e pede a nós todos) de juntar essas duas dimensões da fé: a carismática (pentecostal, deixar-se mergulhar no Espírito Santo) e ao mesmo tempo a preocupação revolucionária de mudar o mundo... E isso é cada vez mais urgente.