quarta-feira, 27 de maio de 2015

Conversa, quarta feira, 27 de maio 2015

          Voltei ontem de madrugada, depois de uma viagem de 20 dias em que peregrinei por várias cidades do norte da Itália, apresentei o meu novo livro sobre o evangelho de Marcos em italiano e participei com várias comunidades de vigílias e reflexões sobre a beatificação de Dom Oscar Romero. 
            Volto contente, embora cansado.          
            Depois de 20 dias fora do Brasil, retomo a inserção com os movimentos sociais e o Fórum Diversidade e contra a discriminação em Pernambuco. Durante minha viagem, aconteceram mais alguns incidentes de discriminação e perseguição  a cultos afrodescendentes. É claro que os participantes do Fórum estão protestando e se solidarizando com as comunidades de terreiro. Sabem que contam sempre com minha adesão a essa iniciativa em defesa da diversidade e pelo direito de culto de todas as comunidades e grupos. Ainda hoje recebi um convite para participar na próxima semana da festa de Oxossi no Opô Afonjá da querida Mãe Stella em Salvador, BA. Infelizmente, dessa vez, não poderei porque cheguei agora de uma viagem e naquele final de semana já terei outra viagem - dessa vez para participar do encontro argentino do movimento Fé e Política, em Santiago del Estero.
       Fico feliz de ver que em Colômbia os lavradores e índios estão organizando uma organização permanente chamada "Congreso de los Pueblos". É interessante porque é um processo na linha do Fórum Social Mundial e quer articular as mais diversas iniciativas de lutas sociais e cidadãs. Vocês podem ler sobre isso a entrevista dada por um dos líderes do movimento no site da Adital:
  www.adital.com.br
   

Meditação bíblica, Domingo de Pentecostes, 24 de maio 2015

            Celebrar Pentecostes é afirmar a atualidade e a realização da promessa que, conforme o quarto evangelho, Jesus fez aos discípulos e discípulas na véspera de morrer: "Eu hei de enviar a vocês outro Consolador, o Espírito Santo que vem do meu Pai e que ele me deu e eu passo a vocês" (João 14, 15,...  25... cap. 15, 26 ss).   
          É uma síntese de todas as promessas de Deus em toda a Bíblia. Deus que prometeu libertação, vida, paz, prometeu enfim morar conosco. Jesus revela que ele fez mais do que isso. Não somente veio morar conosco, mas morar em nós. E essa presença divina em nós muda tudo... Nos últimos anos, descobri como é importante viver essa presença divina do Espírito não somente em nós, cristãos das diversas Igrejas, não somente em nós, humanos de todas as religiões ou sem religião, mas em toda a natureza. Adoro cantar como nos inspira nosso irmão Reginaldo Veloso o cântico de entrada da missa de hoje, tirado de uma palavra do livro bíblico da Sabedoria: "O Espírito do Senhor, o universo todo encheu, tudo abarca em seu saber, tudo enlaça em seu amor, aleluia, aleluia, aleluia, aleluia"(inspirado em Sabedoria 1, 7). 
          Hoje gostei da meditação sobre o domingo de Pentecostes e as leituras da missa que recebi do Centro Dr. Alceu Amoroso Lima. Eis as reflexões:  



            A última palavra

        
       O dom do Espírito é a última palavra, o coroamento do percurso pascal de Cristo. Após este dom, começa a longa caminhada dos discípulos e da humanidade rumo à perfeição da criação, o "Tempo Comum". Este é um tempo cheio do Espírito. E, pelo Espírito, o Cristo se torna interior a nós, a tal ponto misturado conosco que dificilmente é identificável: mais íntimo a nós do que a nossa própria intimidade. Temos aqui, a seguir, alguns temas e imagens escriturais que podem nos permitir progredir na inteligência do Espírito.

        Primeiro, as línguas

        Um fogo que se repartiu em línguas (Atos 2,3): a unidade fez-se diversidade. Isto quer dizer, sem dúvida, que a Unidade divina é rica por demais, para exprimir-se conforme um modelo só. É como o corpo humano: o homem novo é um organismo, é a organização e unificação de uma multiplicidade. Um só é o Espírito, e as línguas todas, uma diversidade. Uma só, a equipe apostólica, e a totalidade das nações. Tem-se observado com frequência que Pentecostes anula a divisão provocada em Babel pela vontade humana do poder (1ª leitura da Vigília). Estamos sempre convidados a passar do regime de Babel ao regime do Espírito pela constituição deste Corpo de que nos fala a segunda leitura do dia. O espetáculo é com certeza menos grandioso do que o do dom da Lei, em Êxodo 19. O texto de Atos fala, no entanto, de «um barulho como se fosse uma forte ventania» e de «línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles». É que passamos do estado de submissão à Lei, ao estado de liberdade no Espírito. A nova Babel faz-se acompanhar de um novo Sinai. Daí em diante, seremos movidos pelo Amor que é o liame da Trindade. A Lei será então perfeitamente observada e cumprida, mas não mais em nome da Lei, e sim pela força do amor.

             O vento violento

          No 2º capítulo do Gênesis, vemos o homem feito de argila ser animado pelo próprio sopro de Deus, sopro que significa a respiração, mas também a vida. Sopro de Deus que pode tornar-se vento violento, para secar as águas do dilúvio ou separar em dois o Mar Vermelho; ou então um sopro novo, para uma vida nova (Ezequiel 36,26-27); ou a leve brisa que revela a presença divina para Elias (1 Reis 19,12). Jesus irá dizer que os que nasceram do Espírito são como o vento, que sopra onde quer (João 3,8). No evangelho de hoje, Jesus repete o mesmo gesto com que Deus animou Adão: comunica o seu sopro aos discípulos. Os Atos contentam-se com falar de um «barulho como se fosse uma forte ventania». Todas estas figuras querem significar: vida, mobilidade extrema, liberdade.

          A alegria

      A "Sequência", canto de invocação do Espírito, localizada entre a 2ª leitura e o evangelho, apresenta-nos o Espírito como sendo a luz e o operador de tudo o que Deus realiza em nós e por nós. Este texto termina falando na «alegria eterna». No discurso após a Ceia, o Espírito é chamado muitas vezes de defensor, de advogado de defesa que é quem sustenta, encoraja e assiste o seu cliente no decurso de um processo. Tudo isso nos diz que a vinda do Espírito se manifesta por uma inundação de alegria, o que os autores espirituais chamam de «consolação». Muitas vezes falamos de Deus como de um juiz, que retribui a cada um conforme as suas obras, mas esquecemos facilmente o fato de ser este mesmo Deus o nosso defensor.

Marcel Domergue, jesuíta (tradução livre de www.croire.com pelos irmãos Lara)

sábado, 23 de maio de 2015

Meditação bíblica, para o sábado, 23 de maio 2015

          Hoje, comecei esse dia - vigília da festa de Pentecostes - com um diálogo aberto com um grupo de padres e leigos da região de Veneza. Conversamos sobre um mundo de questões, desde o Fórum Social Mundial, a crise ecológica, a situação da Igreja e a liturgia. 
         Depois, tive a graça divina de almoçar com três sofredores da rua. Como dizem aqui na Itália: barboni, isso é, vagabundos de estrada. Eram três italianos que perderam emprego e perdendo emprego, acabaram perdendo família e perdendo tudo. Hoje vivem um dia em um abrigo da cidade, amanhã, em outro e uma vez ou outra em alguma casa abandonada ou banco de rodoviária ou estação de trem. O pároco daqui (Dom Nandino) os acolhe sempre e os recebe como irmãos. Dois se chamam Stéfano e têm cada um seus 50 anos. Sandro é mais novo e deve ter mais de 40. Esse último é mais falador. Conversava em dialeto vêneto que eu não conheço e compreendia uma ou outra coisa. Compreendia que ele dizia: Tenho uma dignidade e quero que me respeitem como pessoa.  Eu me senti almoçando com Jesus e quase não falei a não ser para dizer que almoçar com eles era um presente divino para mim e que, há muito tempo, não provava uma refeição tão gostosa (preparada por dois deles na paróquia).
           Agora estou a caminho de Vicenza onde participo à noite do Festival Bíblico Nacional onde devo falar (mais de 250 pessoas) sobre "A terra e os céus estão cheios da tua glória". 
          Não sei o que direi ou o que Deus vai me inspirar. Sei que é bom fazer essa meditação na noite de Pentecostes. Na vigília, o Ofício Divino das Comunidades propõe o refrão tirado do livro da Sabedoria e que Reginaldo Veloso adaptou e canta: "O Espírito do Senhor, o universo todo encheu. Tudo abarca em seu saber. Tudo enlaça em seu amor, aleluia, aleluia, aleluia, aleluia...". 
            Pessoalmente, lamento ter podido aproveitar, saborear pouco esse tempo pascal que se encerra nesse domingo. Sinto-me como se tivesse podido gozar de um alimento maravilhoso e tivesse tido pouco tempo para sorver essa maravilha. No entanto, optei por viver na diáspora (dispersão do mundo) e aí fazer o que?
                 Aprendi com os irmãos e irmãs do Candomblé a contemplar a presença divina na terra, na água, no ar, no fogo, nas árvores e em todo o universo. Aprendi a ver em todas as coisas o halo da presença divina. E isso me faz tratar os seres vivos de um modo distinto... novo. Ou ao menos saber que devo agir assim... 
              Agradeço a Deus ser dessa comunidade dos discípulos e discípulas de Jesus a qual ele vem, hoje, no meio de nós, mostra suas chagas e nos diz: Paz para vocês. As chagas dele se revelam em mim e nos meus irmãos - na luta da vida. O Ressuscitado que se manifesta a nós tem chagas abertas. Não é um super herói forte e sempre vitorioso. É ferido de nossas feridas humanas e tem a cara de nossos grupos e comunidades, frágeis e com seus problemas. 
                E diz o evangelho de João (Jo 20, 19- 23): ele sopra sobre nós, nos dá a  energia divina do amor: "Recebei o Espírito Santo" e nos confirma no serviço de nos perdoar uns aos outros em seu nome. 
           Nesses dias, agradeço a Deus ter podido receber um telefonema de um irmão com o qual me sentia separado - sem eu querer - mas que havia rompido por mim - e ele tomou a iniciativa de reconciliar-se comigo. E eu deveria ter feito isso, mas acabei não fazendo por pensar que ele não queria ou não se interessaria por isso. E sofria porque Deus me chamou para viver a unidade, custe o que custe... Assim, ressuscitei quando ouvi sua voz e pude lhe confirmar que já o havia perdoado e que também, de minha parte, pedia o seu perdão por qualquer coisa em que lhe houvesse ofendido. E assim, celebramos a Páscoa de Jesus de uma forma nova. Agora é Pentecostes. Assim podemos viver a missão. Uma missão de ser testemunhas do amor divino no mundo. 
                  Hoje, em El Salvador, a Igreja declarará beato a Dom Oscar Romero. É também um gesto de reconciliação porque até poucos anos (até chegar o papa Francisco), o Vaticano não podia ouvir o seu nome... E durante todos esses 35 anos, o seu processo de canonização estava parado. Agora, mesmo com todas as ambiguidades que esse tipo de processo tem, (penso que mistificar a pessoa ou fazer dele um herói sempre acaba por afastá-lo de nós e não o aproxima mais do povo), mas mesmo com essas questões, se a sua mensagem profética passa a ser mais lembrada, graças a Deus. Será um novo Pentecostes na Igreja e no mundo.                  

               

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Conversa, sexta feira, 22 de maio 2015

        Nesses três dias, em diversas cidades do norte da Itália, me pediram para falar sobre a atualidade da profecia de Dom Helder Camara e Dom Oscar Romero, ambos reabilitados pelo papa Francisco e agora em processo de canonização. Como o tema era sempre a questão da atualidade da profecia hoje na Igreja, tratei disso, cada vez de um modo diferente porque adaptada a cada auditório. Em Ivreia, era gente adulta, em Cuneo, em meio ao auditório de mais de cem pessoas, havia muitos jovens e em Galiate, perto de Novara, mais gente da Caritas e de organismos leigos da Igreja. E Ivréia, (Romano Canavese), tive a surpresa e a alegria de que na hora do encontro chegou Mons. Luigi Bettazzi, 92 anos. Ele foi o único bispo italiano que acompanhou Dom Helder na época do Concílio para fazer a celebração que deu origem ao Pacto das Catacumbas no dia 16 de novembro de 1965 e que escreveu um livro sobre isso. Ele chegou me dizendo: "Saí de Roma no trem das quatro e estou chegando agora para escutar a sua profecia". Aos 92 anos, havia viajado cinco horas para estar ali. Senti-me muito grato e muito emocionado com esse gesto. 
       Procurei explicar que não devemos mistificar a profecia. Ela é um rumo que damos à nossa vida quando decidimos vivê-la na escuta do que Deus diz a nós e ao mundo. Hoje a profecia é mais comunitária do que uma posição de um ou outro desses pastores bons como Dom Helder e Dom Tomás Balduíno. Hoje, a profecia está nas mãos dos leigos e principalmente de grupos e comunidades que não nos deixam perder a esperança e nos ajudam a nos renovar permanentemente, como dom do Espírito que vem fazer em nossas vidas e no mundo um novo Pentecostes. 
        

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Artigo semanal, quarta feira, 20 de maio 2015

Unidade nas diferenças


Em meio a um mundo, cada vez mais diversificado, a unidade entre pessoas e a paz no mundo representam desafios sempre mais exigentes. O Conselho Mundial de Igrejas que reúne 345 confissões cristãs promove a cada ano uma Semana de Oração e Diálogo pela Unidade das Igrejas. No Brasil, essa semana acontece nesses dias, de 17 a 24 de maio, semana anterior à festa de Pentecostes, na qual os cristãos celebram a presença amorosa do Espírito de Deus em toda a criação e no mais íntimo de toda pessoa humana. No Brasil, a Semana de Oração pela Unidade tem seus subsídios preparados e coordenados pelo CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs), com apoio da CNBB e de outros organismos católicos e evangélicos. Ao escrever sua carta sobre a alegria do evangelho, o papa Francisco insistiu que, como, há mais de 50 anos, o Concílio Vaticano II afirmou: “a divisão entre os cristãos é um contratestemunho que não colabora para a paz do mundo e se constitui como um obstáculo ao cumprimento da missão evangélica” (Cf. EG n. 244-246). Por isso, cristãos das mais diversas Igrejas, membros de outras religiões e mesmo pessoas de boa vontade, não ligadas a nenhuma tradição religiosa, estão convidadas/os a entrar em uma espécie de mutirão de diálogo e de busca da comunhão que supera a divisão, mas respeita a diversidade.
Cada vez mais, o Brasil se caracteriza por uma grande pluralidade de culturas e religiões. Há milhares de anos, por todo o nosso território, povos diversos viviam suas tradições próprias e tinham seu modo de adorar o Espírito presente na natureza. Há 500 anos, com a conquista, os portugueses trouxeram o Cristianismo e impuseram a todos a Igreja Católica. Com o decorrer dos tempos, esse quadro foi transformado. Tornou-se mais rico e diversificado. Atualmente, o Cristianismo  tem quatro grandes tipos de Igrejas: as Ortodoxas, a Católica, as Evangélicas e as Pentecostais. Entre as evangélicas, temos Igrejas Luteranas, Episcopais anglicanas, a Igreja Metodista, as presbiterianas, batistas e outras. Do Pentecostalismo clássico, temos as Assembleias de Deus, a Igreja do Evangelho Quadrangular, a Congregação Cristã do Brasil e outras. Neopentecostais ou de um Pentecostalismo autônomo são a Igreja Universal do Reino de Deus, a Casa da Bênção, Renascer e outras.
Em meio a essa grande diversidade, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) é uma pequena fraternidade de Igrejas. Estas se reúnem para apoiar-se umas às outras na missão e no serviço à humanidade, assim como para estimular o respeito e o diálogo dos cristãos com as outras tradições religiosas presentes e atuantes no território nacional.
No decorrer da história, muitas vezes, em nome de Jesus, os missionários católicos e evangélicos perseguiram e condenaram as outras religiões. Aqui no Brasil, até hoje, infelizmente, há cristãos que discriminam e atacam as tradições religiosas indígenas e afrodescendentes. Esse modo de agir, além de ilegal e vergonhoso, dá um péssimo testemunho de Jesus que sempre valorizou a fé de pessoas de outras culturas e religiões, como a mulher samaritana, a sírio fenícia e o oficial romano, cujo filho, ele curou.
Nessa semana de oração pela unidade, o tema geral é tirado da conversa de Jesus com a mulher samaritana: “Dá-me um pouco da tua água” (Cf. João 4). À beira do poço, Jesus lhe havia pedido: “Dá-me de beber”. Ao saber que Jesus poderia lhe dar uma água viva que jorra para sempre, a mulher lhe pede: “Dá-me um pouco dessa água”. O evangelho mostra que a água representa tudo aquilo que cada um de nós pode compartilhar com o outro. No entanto, significa principalmente o dom do Espírito que Deus quer dar a todas as pessoas nas mais diversas culturas. Por sua ressurreição, Jesus nos comunica esse presente divino (Jo 7, 37). Com Jesus, queremos aprender o que Deus quer nos dizer através das outras expressões de fé. Respeitar as outras religiões e com elas entrar em diálogo é uma forma de testemunhar que Deus é amor e que o seu Espírito se manifesta de mil maneiras no mundo. Ele não assinou contrato de exclusividade com nenhuma religião, ou tradição espiritual. No próximo domingo, festa de Pentecostes, no mundo inteiro, as Igrejas de tradição latina iniciarão a celebração da Ceia do Senhor com uma palavra do livro da Sabedoria: “O Espírito do Senhor, o universo todo encheu. Tudo abarca em seu saber, tudo enlaça em seu amor, aleluia” (Sb 1, 7).  


terça-feira, 19 de maio de 2015

Conversa, terça feira, 19 de maio 2015

             Ontem, aconteceu a apresentação do novo livro que saiu na Itália: "Nos caminhos da humanidade: em diálogo com o evangelho de Marcos". No salão de Pinerolo, éramos 250 pessoas. Quem apresentou o livro foi Dom Luigi Ciotti, padre perseguido pela máfia que viaja por toda a Itália sempre escoltado pela polícia e com segurança pessoal. Já nos encontramos várias vezes e fico contente em ser amigo de um profeta corajoso como ele. 
          O grupo bíblico que fez o livro comigo estava muito feliz. Os jovens que participaram se sentiram valorizados em ser co-autores de um livro assim. E eu disse - e penso isso mesmo - que aprendi muito com eles e os verdadeiros autores do livro são eles. 
        Que alegria depois de várias dificuldades ver o resultado do diálogo. Como é bom e fecundo poder escutar e aprender uns dos outros. 

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Conversa, segunda feira, 18 de maio 2015

         Ontem, domingo, festa da Ascensão, passei o dia inteiro em um retiro com um grupo de leigos da Casa da Solidariedade, aqui em Quarrata, na Toscana, diante dessas belas colinas que antecedem os Apeninos e que nesses dias de primavera estão verde e cobertos de todo tipo de flores. 
         Gostei de ver que esses irmãos e irmãs, (a maioria já da minha geração, isso é, maiores de 60) continuam interessados em fazer comunidade, viver uma vida comunitária como profecia do evangelho. Com todas as dificuldades que isso significa em um mundo individualista e que valoriza o descartável e não as relações mais estáveis e profundas. 
            Celebramos a Ascensão de Jesus não como uma "subida ao céu", como se se tratasse de um lugar, mas como o fato de que Deus assumiu em Jesus nossa humanidade e nós podemos sim evoluir, nos transformar, nos divinizar - em Jesus ressuscitado, mesmo nossas fragilidades - se podemos chamar assim nossas dificuldades de caminhar para uma amorização cada vez maior, tudo isso é assumido por Deus e planificado por ele. Que maravilha de boa notícia e de perspectiva... 
            É claro que, para mim, o fato de falar dessas coisas e ser levado a meditar sobre a comunidade não só como fato sociológico, mas como mistério de fé e profecia no mundo de hoje me toca profundamente, me faz rever meus fracassos nesse campo e reviver de certa forma minha vocação cenobítica como monge beneditino. 
           Uno-me a todas as comunidades que nesses dias fazem a novena do Espírito Santo e pedem um novo Pentecostes para as Igrejas cristãs (começamos hoje a semana de orações pela unidade dos cristãos) e também para esse mundo dividido e fragmentado. Que Deus nos dê o Espírito para vivermos nele a unidade e a paz.