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Somos todos nômades e conduzidos pelo Espírito

              Se cremos na informação de João 10, 22, o contexto das palavras de Jesus é uma discussão de Jesus com os fariseus e doutores da lei no templo de Jerusalém e por ocasião da festa das Tendas. Na tradição de Israel, o sentido dessa festa (Shukkot) é relembrar o tempo da caminhada no deserto, reavivar a esperança da libertação e pedir a Deus que atualize e complete a libertação (Hosanah, vem nos libertar, Senhor). Um problema importante é que quando sejam os profetas, seja Jesus, falam de "pastor", não tem a conotação religiosa que lhe damos hoje. Para a cultura bíblica, pastor é governante. 

Na ordem em que o evangelho transcreveu essas palavras de Jesus, ele teria começado denunciando todas as autoridades que vieram antes dele como ladrões e salteadores. Como se tratam de governantes, podemos dizer governos ilegítimos, golpistas. E Jesus diz: Eu sou o verdadeiro pastor. Essas duas parábolas, a da porta do redil (do aprisco) e a parábola do pastor são de um mundo que não é o nosso. Um mundo de cultura nômade. Hoje, teríamos dificuldade em chamar as pessoas de ovelhas. Ninguém quer fazer parte de rebanho. O termo "carneirada" é pejorativo. No tempo de Jesus tinha outro sabor. E é importante compreender que se queremos comparar o rebanho de Jesus com a Igreja, a primeira distinção a ser feita é que a Igreja é o rebanho e não o aprisco. O evangelho tem como boa notícia de que o pastor se coloca na porta e chama a cada ovelha por seu nome para sair do aprisco e se aventurar na liberdade dos campos, onde haja boa pastagem. O pastor vai na frente do rebanho para guia-lo e defendê-lo... Se Deus é o pastor e Jesus é a porta - depois ele dirá que ele mesmo se torna Pastor - Jesus é a porta da liberdade para cada um/uma de nós... Se somos de Jesus, temos de receber e viver essa liberdade. Liberdade interior e social. 

Hoje, esse evangelho do pastor nos chama a cuidar uns dos outros e cuidar juntos da terra e do universo. E nos sentir responsáveis com carinho e ternura - como sinal de que somos sinais e instrumentos desse pastoreio de Jesus.  

 

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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