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Conversa, sexta feira, 10 de junho 2016

Há pouco tempo, voltei da concentração dos movimentos sociais na Praça da Democracia (praça do Derby) no centro do Recife. Muita gente. Não sei dizer quantas pessoas. Três mil? Mais? Não tenho ideia. A praça estava de vermelho. Parece que Temer conseguiu uma coisa que até aqui ninguém havia conseguido: unir todos os movimentos sociais no Brasil. Além disso, fazer com que movimentos religiosos sensíveis (não fundamentalistas) se unam aos movimentos sociais pela Democracia. Uma coisa bonita. Muita gente jovem. E os grupos mais diversificados. Além dos movimentos sociais já consagrados, sem Terra, sem Teto, partidos políticos de esquerda, Sindicatos e Centrais de Trabalhadores, grupos de mulheres negras, grupos de gays, grupos de jovens, gente de todas as cores e de todas as diversidades... Igrejas e religiões representadas no Fórum interreligioso pela Democracia...

Naquele ambiente, sempre me sinto bem e fico feliz de perceber o carinho com que sou acolhido e com o qual as pessoas se encontram e se reconhecem companheiras em uma mesma caminhada. Se tivesse menos idade e mais saúde, teria um protagonismo maior. Atualmente, sinto que devo ficar no banco de reserva e se o time que joga quiser, quando precisar, me chama.

Uma limitação que tenho sentido nessas concentrações é a desorganização. O som do caminhão que dirige é insuficiente. A multidão na praça fica dispersa. Tem gente conversando e alto. Tem gente comprando água ou coca-cola. Tem gente tocando e cantando. Ao mesmo tempo que no caminhão há alguém falando ou cantando. Apesar de que dessa vez houve um ou outro cântico, não senti que tentaram envolver o povo. Cantaram para o povo. E os que falaram era sempre no mesmo tom de comício antigo do interior. E não de uma comunicação viva e mais direta... 

Muita palavra de ordem, principalmente "Fora Temer". Essa era geral. Mas, não basta. Por questões de saúde (insuficiência respiratória), quando formaram a caminhada que foi até o centro velho do Recife, eu não fui. Penso que durante a caminhada o número de pessoas foi aumentando... Deve ter chegado a umas 5000 pessoas, principalmente pelo horário de fim do trabalho.

De fato, mesmo gente que estava por fora de tudo e não participava, agora vendo as perdas sociais imensas - feitas pelo governo em tão poucos dias - começa a participar. Tomara que essa voz do povo seja ouvida e o golpe seja revertido. 

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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