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​Conversa, quarta-feira, 21 de março 2012

Ver o invisível

Acabo de voltar do Instituto Teológico dos franciscanos de Verona onde falei sobre Economia e Espiritualidade a partir dos pobres do sul do mundo. Depois, reparto com vocês o texto, que, embora não tenha lido (sempre prefiro falar espontaneamente), foi o texto de referência. Eram mais de 200 pessoas e pareciam todas muito interessadas. Ontem, a comunidade de São Nicoló, que sempre me acolhe e com a qual já tenho uma longa amizade me fez uma surpresa. Organizou uma ceia muito simples, mas com números musicais, momentos de teatro e até dança. Um ambiente muito afetuoso e que me deixou comovido porque era absolutamente gratuito. Quiseram me dar esse presente. Houve cenas de teatro de boneco, uma memória do arcebispo Dom Oscar Romero (nesta semana celebramos aniversário do seu martírio) e o tema de duas pequenas peças de teatro de bonecos era "ver o invisível" e se dizia que as crianças vêem o invisível porque vêem com amor e que há adultos que mantêm o coração de criança. 

Um rapaz marroquino de 30 anos, muçulmano e imigrante clandestino em Verona foi acolhido por essa comunidade. Eu lhe perguntei: - Mohamed, o que você mais aprendeu aqui?

Ele me respondeu: "Estou aprendendo que é possível viver a partir do olhar do outro". Eu concluí: É isso que quero aprender e viver sempre. Se puder, me ensine. Sem dúvida, ver com o olhar do outro é uma forma também de ver o invisível.   

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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