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Conversa, quarta feira, 20 de abril 2016

Ontem à noite fui com minha irmã Penha ao Festival de Mitvan, festa religiosa da Fé Bahá-i. Para isso tivemos de atravessar toda a cidade de Recife de norte a sul em uma hora de rush e chegamos em cima da hora. Uma casa comum transformada em sede dessa religião que reúne aqui no Recife principalmente pessoas da comunidade iraniana ou seus descendentes aqui na cidade. A amiga que nos convidou nos recebeu com muito carinho e fomos conduzidos a uma sala na qual aconteceu a reunião. Ali estavam além de umas 20 pessoas da comunidade da fé baha-i umas cinco de outras religiões como eu, participantes do Fórum Diálogo pela Diversidade e contra as discriminações. A reunião constou da recitação de algumas orações e uns dois belos cânticos em iraniano, além de uma introdução à vida de Bahá ullah, o profeta fundador da fé baha - i no Irã do século XIX e uma explicação sobre o sentido do Festival de Mitvan que estávamos celebrando. Mitvan quer dizer paraíso e é uma festa para tornar o mundo um jardim do paraíso.

Quase no final da reunião me pediram para dar uma palavra. Eis o que resumidamente falei:

- "Encontrar um grupo religioso como o de vocês que se distingue pela acolhida carinhosa e pela abertura a todas as religiões e culturas é uma graça divina.

- Isso revela que vocês continuam a profecia do Baha- ullah. Ele viveu uma vida de muitos riscos. No século XIX, no Irã islamita xiita, ele pregou uma síntese de todas as religiões conhecidas. E por isso sofreu muito e foi cinco vezes exilado... O impressionante é como em meio a tanto sofrimento injusto, ele foi capaz de ser um profeta do amor, do carinho humano e da beleza. O fato dele propor uma festa como essa é admirável  E ele afirmou:  no dia em que a gente amar, transforma o mundo em um jardim do paraíso. Esse será o dia que não terá noite. É a mesma coisa que a tradição cristã diz da Páscoa: no caso da Páscoa é a noite que se torna luminosa como o dia... Para o Baha-ullá é o dia sem noite... É o mesmo mistério da luz do amor...

- Um outro profeta que viveu entre nós aqui no Recife, Dom Helder Camara, também em meio a muitas lutas e sofrimentos afirmava que confiava na fecundidade das minorias abraâmicas. Minorias frágeis e pequenas, impotentes em si mesmos, mas pela força da fé, capazes de superar a esterilidade humana e gerar uma vida nova no mundo. Vocês, nós temos essa missão".

Parece que eles e elas gostaram.  Eu também gostei muito de ter ido e feito esse sinal de comunhão humana.

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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