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"Vamos ajudar os povos indígenas a viverem"

          "Deixa o índio vivo, deixa o índio, deixa (É fruta do mato) (Deixa)... Escuta o mato crescendo, escuta o mato, escuta... Escuta o vento cantando no arvoredo, Passarim, passarão no passaredo, Deixa a índia criar seu curumim, Vá embora daqui coisa ruim, Some logo, Vá embora, Em nome de Deus, É fruta do mato, Borzeguim, deixa as fraldas ao vento e vem dança" (Tom Jobim, canta na música Borzeguim).

         Hoje é dia do índio. Agora, já não basta deixar o índio viver, deixar o índio nu e livre. Depois que tomaram tudo dos povos indígenas, as suas terras, os seus rios e cachoeiras, não há mais caça nem pesca... Como eles podem viver? Desde os tempos da colonização que a elite brasileira os quer como escravos, como boia-frias nas fazendas dos senhores. Como os índios não se submetem totalmente e voltam sempre, mesmo que seja para morrer na terra que foi sua, eles os assassinam. Nós, brasileiros do lado da justiça e da paz, não podemos aceitar mais isso. 

        Atualmente, no Brasil, a população indígena chega a quase um milhão de pessoas. O governo fala em 253 povos diferentes e que falam 150 línguas próprias. De toda essa população, 60% vive na Amazônia Legal. A minoria tem garantido o seu direito à terra demarcada, como manda a Constituição de 1988 e mesmo aqueles povos (poucos) que conseguiram isso, agora com o atual governo Temer, ameaçam perder. O Congresso quer invalidar a Constituição e retirar os direitos que os índios tinham adquirido. Para garantir os lucros maiores do agro-negócio. Nesses dias, no Mato Grosso, um encontro pastoral tinha como tema "Provocar rupturas e construir o Reino de Deus", na memória de Vicente Canas, missionário assassinado dentro de uma aldeia indígena em abril de 1987, portanto há 30 anos.  Uma conclusão do encontro foi lutar em defesa do Bem Viver dos índios Enawenê-Nawê, (do Mato Grosso), povo com o qual esse missionário mártir conviveu por mais de dez anos e com o qual ele foi martirizado.       É preciso que nós todos nos solidarizemos com os povos indígenas e possamos continuar a luta de Dom Pedro Casaldáliga, Dom Tomás Balduíno e tantos missionários católicos e evangélicos que consagraram suas vidas aos povos indígenas. 

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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