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Portal do Ano Novo

                   As comunidades judaicas vão iniciar o ano 5778) na festa de Rosh Roshaná (o Ano novo hebraico) no dia 10 de setembro de 2018. O ano 1439 da Hégira começou para as comunidades islâmicas no dia 21 de setembro passado. O ano chinês já será o 4714, o ano budista, 2584 e assim a contagem dos anos difere e também a data em que se comemora. Na América do Sul, as comemorações do ano novo seriam em junho  e os povos andinos celebram o Inti Rami, a festa do renascimento do sol, no 21 de junho. Entretanto, seja como for, todas as culturas se associam para fazer no 31 de dezembro a passagem para um ano novo civil. 

                Em todo o mundo, fala-se na "entrada do ano", ou que o ano novo vai chegar. Como se o tempo fosse alguém que penetrasse como em um portal de nossa vida. De fato, no portal do ano novo somos nós que entramos, se aceitarmos nos renovar e iniciar um tempo novo em nossa vida. Nesse portal do ano novo de nossas vidas, tempo novo da graça divina, todos nós podemos entrar. Jovens e mais velhos, juntos e solidários. Há uma renovação que é muito pessoal e íntima (não intimista). E pede de nós capacidade de revisão e ao mesmo tempo coragem para nos transformar. 

                  Vou fazer uma proposta simples para quem é ao menos de cultura cristã. Aceite a palavra do evangelho que diz que, assim como a Palavra divina (ou seja uma presença amorosa de Deus) se fez carne em Jesus de Nazaré, hoje, se faz carne em nós, portanto em mim e em você. Temos em nós uma dimensão divina que é a amorosidade como tesouro de nossas vidas e que faz do mais íntimo de cada um de nós um presépio de carne. Como magos que vêm de fora, ofereçamos-lhe nossos dons mais preciosos. Conforme o conto do evangelho, os magos do Oriente ofereceram ao menino Jesus ouro, incenso e mirra. Nós o que oferecemos hoje como dons mais preciosos de nossas vidas à criança divina que temos dentro de nós (da qual somos como que grávidos/as)? 

               Para entrar nesse portal do ano novo (dentro de nós mesmos), em um momento de silêncio e meditação reúna imaginalmente (no seu coração) a comunidade de pessoas que fazem parte de sua vida. Não estou falando de uma sociedade e sim da comunidade. As pessoas que mais lhe tocam e com as quais você se sente em mais comunhão. Há muita gente? Tudo bem? Escolha representantes e reúna algumas (não vamos limitar demais o número, mas é bom ter os nomes). Agradeça que cada uma delas é dom divino para você e se pergunte se você está sendo dom divino para cada uma delas. Veja como, nesse ano novo poderá ser mais presente de amor para cada uma. A essa comunidade imaginal (não imaginária, porque é real, embora presente agora no seu coração), junte agora as pessoas que você se sente em comunhão de projeto de vida, pessoas que vc admira e de certa forma sente como companheiras de caminho (um autor que lhe faz bem, uma mulher que você admira? um líder espiritual como o Dalai Lama? o papa Francisco?, um político... Quem) Junte também pessoas que já se foram e que marcaram o seu caminho. 

                  Agora com essa comunidade imaginal próxima e mais universal, pense e escreva ou expresse no coração como prece três oferendas de amor e três desejos que vc formula para si, para as pessoas que compõem sua comunidade de amor e também para o Brasil e toda a  humanidade. Alguém pode oferecer como dom a decisão de se dispor mais à alegria, à confiança, à saúde física e espiritual ou, quem sabe, pode expressar os desejos de ser mais disponível para os outros, de ser mais aberto ao diálogo e mais testemunha da esperança em um mundo que insiste em nos desanimar do futuro melhor.  E para os outros o que posso desejar? 

                  Nada do que diz uma tradicional canção ainda comum nas comemorações de ano novo: "muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender". Se a gente conseguir desejar e oferecer presentes mais profundos e originais, teremos todos e cada um o mais feliz Ano Novo. Aleluia, Axé, Amém... 

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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