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Homilia de Santo Agostinho para o Sábado Santo

Sermão de Santo Agostinho para o Sábado Santo

                     Irmãos e irmãs queridos,

Nós recebemos um convite para vigiar nesta noite. Este convite nos vem do apostolo Paulo que escreveu aos coríntios que fazia vigílias freqüentes e pede que nós o imitemos. Com muito mais fervor, devemos estar acordados nesta noite. Esta noite é a noite da vigília que é a mãe de todas as vigílias da Igreja. Nós temos de fazer vigília, nesta noite, irmãos, porque, por nossa forma de viver, nós éramos trevas, éramos noite. Hoje, somos luz no Senhor. Por isso, iniciamos esta Noite santa acendendo uma luz nova. Por esta luz que ilumina a nossa noite poderemos resistir e impedir que as trevas da noite voltem de novo a nos invadir. Por isso, é importante encher de luzes esta noite e não deixar a luz do fogo se apagar. Que a luz desta noite bendita ilumine não só o exterior mas o mais íntimo de cada um. É nesta noite que Deus realiza conosco a profecia do salmo que canta: “Para ti, as trevas não são trevas, a escuridão não é mais escuridão. A noite brilhará como o dia”.

Na madrugada desta noite, antes que o sol brilhasse no horizonte, nosso Senhor Jesus Cristo, vencedor do pecado e da morte, ressuscitou. Nesta noite, nós que cremos devemos vigiar. Nesta noite nasceu nossa alegria, ou melhor, renasceu do túmulo, porque do meio da escuridão brilhou a luz da ressurreição. A única tristeza que permanece é o peso de nossos pecados, mas Jesus Cristo ressuscitou para deles nos libertar. Alegremo-nos. Esta noite  já pertence, de fato, ao dia do domingo porque a ressurreição de Jesus tornou esta noite mais luminosa que qualquer dia claro. A ressurreição iluminou nossas escuridões. E nós expressamos esta iluminação pelo sacramento do batismo, sinal e instrumento de nossa ressurreição com Jesus.

Por isso, irmãos, nossa fé fica tão fortificada pela ressurreição do Cristo, que todo sono vai embora e esta noite, cheia das luzes de nossas velas e dos fogos que acendemos nas Igrejas de todo o mundo nos faz esperar, com todas as Igrejas espalhadas pelo mundo, vigiar para não sermos surpreendidos no meio da noite dormindo e sim esperando o Senhor que vem.

É preciso que as chamas da fogueira aqueçam nossos corações e permitam que nossos espíritos vejam além de nossos olhos da carne. Consagremos esta noite que se acaba com o domingo por uma grande festa e proclamemos ao mundo que, mesmo no meio das dores e das trevas de todas as desordens, Deus faz brilhar a luz da ressurreição na qual somos batizados e pela qual somos chamados a viver com o Cristo, agora e sempre. 

 

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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